17 de Maio 1987 – Senna x Mansell, Quando o Spa virou um Ringue – Dia 361 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo

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A temporada de 1987 ainda dava seus primeiros passos, mas a briga entre Williams, McLaren e Lotus esquentava cada vez mais. Alain Prost abriu a temporada levando sua Macca para o topo do pódio e Mansell respondeu com uma vitória na segunda etapa do ano, em Imola. O britânico chegava então ao autódromo de Spa-Francorchamps com a liderança do campeonato e um ponto de vantagem em relação ao francês, que ocupava a segunda posição. Stefan Johansson, Nelson Piquet e Ayrton Senna fechavam o Top 5, mas o caos da 3ª etapa do ano modificaria completamente a briga pelo título.

Fonte: GPs.GPExpert.com.br

Uma dobradinha da Williams na classificação colocou o líder do campeonato na pole com 1.3s de vantagem para seu companheiro de equipe, Nelson Piquet. Ayrton Senna abriu a segunda fila com sua Lotus amarela e foi seguido pelas Ferraris de Gerhard Berger e Michele Alboreto. Alain Prost era apenas o 6º e Johansson o 10º, atestando o começo frustrante da McLaren em solo belga. No domingo, Senna pulou seu compatriota na primeira curva e assumiu a segunda posição, contudo, um verdadeiro caos se instalou no pelotão intermediário. Primeiramente Renè Arnoux e Andrea de Cesaris misturam tinta, prontamente seguidos pela Benetton do piloto da casa, Thierry Boutsen, que acabou encontrando a Ferrari de Gerhard Berger. O pior acidente viria na volta 2, Philipe Streiff perdeu o controle de sua Tyrrell logo após a Eau Rouge e carimbou o muro em alta velocidade. A situação foi agravada quando Jonathan Palmer não conseguiu evitar os destroços do bólido de seu companheiro de equipe e destruiu a Tyrrell que restava na prova. O monoposto de Streiff ficou completamente destruído, mas os dois não só saíram ilesos do impacto, como o francês teve direito ao carro reserva por ter batido primeiro.

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Os detritos deixados pelo festival de colisões nas primeiras voltas forçaram uma bandeira vermelha para a limpeza da pista. Na relargada Senna foi capaz de saltar as duas Williams e assumiu a liderança da prova. Mansell, claramente com o caro mais rápido, arriscou uma ultrapassagem ambiciosa por fora na Fagnes e os dois colidiram. Senna foi forçado a abandonar a prova enquanto Mansell voltou se arrastando para a corrida. A ponta caiu então no colo de Piquet, com Alboreto em segundo buscando a redenção da Ferrari e Prost em 3º vibrando com os infortúnios de Mansell. 7 voltas depois, as esperanças do primeiro pódio da escuderia no ano foram para o espaço devido à problemas de transmissão no bólido de Alboreto, o italiano seria acompanhado pelo então líder da prova, que também deixou a prova duas voltas depois com falhas mecânicas. Sem Piquet ou Michele adiante, Prost se via agora na liderança e precisando apenas não cometer erros graves para vencer seu segundo GP no ano.

A vida do francês ficou ainda mais fácil no 17º giro, quando Mansell decidiu abandonar devido aos danos causados pela colisão com Ayrton Senna ainda no começo da prova. O britânico deixou o cockpit da Williams completamente enfurecido e partiu para os boxes da Lotus em busca do brasileiro. Segundo relatos, Mansell agarrou o Senna pelo macacão e a nuca, o colocou contra a parede e demonstrou seu descontentamento, os dois então trocaram ofensas e até socos antes da equipe conseguir apartar a briga. Após a corrida Piquet defendeu a manobra do brasileiro e Ayrton ainda declarou: “Quando um homem te segurar pelo pescoço, acho que ele não está em busca de um pedido de desculpas”.

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Na pista, Prost liderava com tranquilidade após assistir seus concorrentes caírem um por um, entretanto, no pelotão intermediário o jogo de Resta-um continuava. Ivan Capelli deixou o GP por problemas no motor, Thierry Boutsen abandonou a prova pela segunda vez, agora por uma falha na roda e Martin Brundle parou sua Zakspeed com superaquecimento. A prova que havia começado com 26 carros agora contava com apenas 11 e 24 voltas ainda aguardavam os pilotos. A próxima vítima seria Teo Fabi, o italiano ocupava uma incrível 2ª posição com a Benetton até ser superado pela McLaren de Johansson. As esperanças de pódio ficariam pelo caminho após a ultrapassagem de Andrea de Cesaris, que colocava agora a outra Benetton do grid na 3ª posição. Mesmo assim, essa 4ª posição seria um ótimo resultado, não fosse um problema de motor que forçaria o abandono do italiano menos de 10 voltas antes do final do GP.

Fonte: GPs.GPExpert.com.br

Alain Prost e Stefan Johansson lideraram a dobradinha da McLaren com tranquilidade, mas a calma para por aí. Em 3º, Andrea de Cesaris ficou sem combustível na última volta da prova e teve que empurrar sua Brabham até a bandeirada. Esse foi o 27º triunfo de Prost, o empatando com Jackie Stewart no ranking de mais vitórias na carreira, já para Johansson, o 2º foi seu melhor resultado na carreira.

Fonte: GPs.GPExpert.com.br

No campeonato de pilotos, Prost agora era o líder isolado, seguindo pelo seu companheiro de equipe 5 pontos atrás. Mansell era apenas o 3º e Piquet ocupava o 4º lugar empatado em pontos com Senna. Entre os construtores a McLaren era surpreendentemente a líder isolada após três provas, mas esse cenário se provaria extremamente temporário em um ano de domínio da Williams.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.