10 motivos para você dar uma chance à Fórmula E

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

A quinta temporada da Fórmula E começará no próximo dia 15 de dezembro e já traz consigo muita expectativa devido a todas as mudanças que ocorreram de julho (quando a quarta temporada terminou) para cá. A categoria de carros elétricos, que se consolida a cada ano e conquista mais fãs a cada dia que passa, apresenta, além do novo carro (o moderníssimo Gen2), pilotos, equipes e regras novas que certamente deixarão as provas ainda mais atrativas para o público.

É verdade que ainda existe uma certa resistência por parte dos fãs mais tradicionais do automobilismo, principalmente pela falta de “barulho no motor”. Há também quem reclame das pistas que, por serem de rua, acabam sendo estreitas e dificultam a pilotagem, mas mesmo com esses fatores, é possível abrir um pouco mais a mente e curtir essa categoria que não para de crescer.

Para te ajudar a entender melhor a Fórmula E, apresento 10 motivos – não necessariamente em ordem de importância – que podem te fazer enxergar a competição sob um novo olhar.

lll 1. O conceito da categoria

A ideia da Fórmula E surgiu ainda em 2012, sugerida por Jean Todt, presidente da FIA, pensando na mobilidade sustentável. Alejandro Agag, CEO da F-E, foi quem criou a marca e a competição como conhecemos hoje. À medida que novos parceiros chegavam, a ideia criava corpo. Carros elétricos competindo em circuitos de rua de países diferentes em praticamente todos os continentes (apenas a Oceania não recebeu uma prova ainda) e custos bem baixos para equipes e público – os ingressos mais baratos custam 25 euros. Muito além de competir, a proposta é pensar a mobilidade urbana de outra forma, com o objetivo de evoluir reduzindo os impactos causados ao meio ambiente.

As provas são disputadas em circuitos de rua por serem considerados os melhores para o desenvolvimento tecnológico tanto dos carros de competição quanto dos carros de rua. É como se os carros da F-E estivessem em seu habitat natural, o que facilita e economiza tempo e dinheiro na hora de coletar dados e realizar ajustes.

Outra coisa importante são os pneus. Todos os carros utilizam o mesmo pneu Michelin e cada carro usa o mesmo conjunto de pneus no fim de semana inteiro – isso mesmo, treinos livres, classificação e corrida com o mesmo sapatinho, faça chuva ou faça sol.

lll 2. A competitividade entre equipes e pilotos

Quando assistimos a qualquer prova da Fórmula E, percebemos que o equilíbrio entre as equipes é alto. As corridas são cheias de disputa, como o carro não tem muita dependência da aerodinâmica, constantemente vemos curvas sendo feitas roda com roda e muitas, mas muitas ultrapassagens, além das batidas, claro. Aliás, a primeira corrida da história da F-E nos proporcionou um dos melhores capotes dos últimos anos – sem dúvida o melhor da categoria até hoje. Nico Prost (Renault) e Nick Heidfeld (Venturi) disputavam a primeira posição na última volta quando se tocaram, Heidfeld deslizou na pista até encontrar uma barreira de proteção e ser arremessado para cima. O carro girou no ar antes de cair violentamente no chão, mas nada aconteceu ao piloto que saiu do carro e foi imediatamente tirar satisfação com Prost. Quem levou a melhor na história toda foi Lucas di Grassi que se sagrou o primeiro vencedor de uma prova da Fórmula E em Pequim, 2014.

Outro fato que comprova o equilíbrio presente na F-E é que cada temporada teve um campeão diferente. Começando por Nelsinho Piquet (Nextev), passando por Sebastien Buemi (Renault) e Lucas di Grassi (Audi) e terminando em Jean-Eric Vergne (Techeetah), a F-E ainda não conhece um bicampeão – honestamente, espero que demore um tempo até conhecer.

lll 3. Pilotos que vieram da Fórmula 1

Você certamente já deve saber que diversos pilotos da Fórmula 1 já passaram pela F-E ou ainda estão por lá. Só na primeira corrida foram 12: Lucas Di Grassi, Bruno Senna, Nelson Piquet Jr, Nick Heidfeld, Karum Chandock, Charles Pic, Jerome D’Ambrosio, Sebastien Buemi, Jaime Alguersuari, Jean-Eric Vergne, Scott Speed e Jarno Trulli – que chegou a ter uma equipe com seu nome. Ao longo das temporadas ainda tivemos Vitantonio Liuzzi, Takuma Sato, Jacques Villenueve, Pierre Gasly, Esteban Gutierrez e Kamui Kobayashi. Para a quinta temporada já estão confirmados Felipe Massa, Stoffel Vandoorne e Pascal Wherlein – e só estão listados os pilotos que efetivamente disputaram alguma prova, não contando os pilotos de teste. Se considerarmos que restam duas vagas disponíveis, ainda podemos ter outros grandes nomes chegando.

Isso só mostra a grandeza e o prestígio da competição. Pilotos vindos de categorias de base como F2 e GP3 (ou já podemos chamar de F3?) começam a considerar a Fórmula E como alternativa mais do que viável para a consolidação de suas carreiras, a exemplo de Sam Bird. Vice-campeão em 2013 da F2 (na época GP2), Bird tentou entrar no mundo da Fórmula 1, mas sabia que não conseguiria o dinheiro necessário, então recebeu o convite da Virgin para disputar a Fórmula E e o atendeu prontamente. Ele corre na equipe até hoje.

lll 4. Pilotos brasileiros

Especificamente para nós brasileiros, a F-E é motivo de muita alegria. Além da já mencionada primeira vitória de Lucas di Grassi, é de Nelsinho Piquet o primeiro título de campeão da categoria. A primeira temporada, encerrada em 28 de junho de 2015, coroou Nelsinho em Londres, na época ele corria pela Nextev TCR.

Lucas também é dono de outra marca importante, ele foi vencedor da primeira corrida na Suíça desde 1955, quando um trágico acidente matou 80 pessoas durante a Le Mans, incluindo o piloto, Pierre Lavegh. O país então proibiu a realização de corridas automotivas, mas em 2015, o Conselho dos Estados da Suíça autorizou a realização de corridas de carros elétricos; a Fórmula E, então, correu para o abraço.

Di Grassi ainda é dono de mais duas marcas importantes: é o segundo maior vencedor da categoria (8 vitórias, atrás apenas do suíço Sebastien Buemi com 12) e o maior pontuador da F-E com 611 pontos, Buemi, o segundo colocado, tem 580. Bruno Senna teve uma discreta passagem pela Mahindra, onde ficou por duas temporadas. Seu melhor resultado foi um 2º lugar na penúltima prova de 2016, em Londres.

Entretanto, muito se aposta na estreia de Felipe Massa que correrá pela Venturi. Dono de 11 vitórias e um vice-campeonato na Fórmula 1, Massa é o nome de maior peso a entrar na F-E e sua chegada certamente atrairá muitos olhares para a competição.

lll 5. Novas equipes

Ok, aqui temos um ponto muito importante. A F-E, desde a primeira temporada, recebe equipes bastante conhecidas no automobilismo como Renault e Audi, mas já para os próximos dois anos, grandes e tradicionais marcas se juntarão a nomes consagrados como Jaguar e Mahindra. As principais mudanças são: a substituição da Renault pela Nissan (as duas fazem parte do mesmo grupo); a BMW que antes atuava como uma parceira da Andretti e agora assume o controle da equipe e a chegada da HWA que funcionará como um laboratório da Mercedes, a montadora alemã entrará de vez na 6ª temporada. A Mercedes, aliás, saiu do DTM para se dedicar à Fórmula E, dando mais um indício de que carros elétricos são o futuro do automobilismo.

Outros grandes nomes que podem chegar na temporada 2019-20, além da Mercedes, são Porsche e Ferrari. Fora toda a possibilidade de desenvolvimento tecnológico que a F-E oferece naturalmente, outro grande atrativo da categoria é o baixo custo necessário para manter uma equipe, as mais caras desembolsam “apenas” US$ 30 milhões por temporada – valor menor que o salário de Lewis Hamilton, por exemplo.

A Venturi, que não é uma equipe novata, dá mais indícios que grandes investimentos virão num futuro próximo para a F-E, além de Felipe Massa, a equipe será dirigida por Susie Wolff. A Mercedes aparenta estar chegando com os dois pés na porta. E uma curiosidade: o ator Leonardo DiCaprio é um dos sócios da equipe Venturi.

lll 6. Comunicação e marketing

Esse é um dos meus tópicos preferidos. Se tem uma coisa que deve ser aplaudida na Fórmula E é o impecável trabalho realizado pela equipe de comunicação e marketing. As redes sociais são altamente interativas: curtidas e respostas aos comentários de todas as redes sociais. O canal do Youtube é um show à parte. Lá você encontra entrevistas e documentários com pilotos e membros das equipes, aqueles quizzes e jogos com os pilotos que a gente gosta, explicações sobre o funcionamento dos carros e, inclusive, corridas completas das primeiras temporadas!

As postagens são repletas de humor e a maioria nos convida a interagir, a exemplo dos quizz que acontece toda sexta-feira no Instories. Parafraseando Arnaldo Cezar Coelho, “a estratégia é clara”, a Fórmula E tem como um dos seus principais objetivos se aproximar do público como uma categoria automobilística competitiva e acessível para todos. Além de todo o conceito e dos baixos custos envolvidos, a categoria usa – bem até demais – as redes sociais para oferecer conteúdo de alta qualidade e cativar os fãs.

Um exemplo claro é esse vídeo feito em homenagem aos 26 anos de lançamento do Mario Kart. É SEN-SA-CIO-NAL!

lll 7. As transmissões

Desde o começo, a F-E busca ser sinônimo de inovação e qualidade, com as transmissões não seria diferente. A categoria é parceira de grandes marcas mundiais de transmissão esportiva, aqui no Brasil ela é transmitida pelo Fox Sports desde a primeira corrida sob o comando de Thiago Alves, Edgar Melo Filho e Flávio Gomes, mais recentemente, o grande Téo José se juntou ao time e tem feito um brilhante trabalho nas transmissões.

Na transmissão oficial, o comentarista de Fórmula 1 da BBC do Reino Unido, Jack Nicholls, é quem narra as provas e os comentários ficam por conta do multicampeão da Indy Car, Dario Franchitti. Bob Varsha, do finado Speed Channel também comenta as transmissões. No canal da Fórmula E no Youtube, é possível conferir o trabalho de Jack, Dario e Bob através da “Câmera do Comentarista”.

A novidade desse ano é a transmissão ao vivo dos E-Prix via Youtube com a presença de influenciadores digitais. A atração será comanda por Laurence McKenna e inicialmente estará disponível apenas para o Reino Unido, mas caso dê certo, com certeza será aberta para o restante do mundo.

lll 8. Jaguar I-PACE eTROPHY

Mesmo com tão pouco tempo de existência, a Fórmula E já começa a colher seus frutos. Um deles é o Jaguar I-PACE eTROPHY, uma parceria com a F-E em que a Jaguar realizará corridas com o Jaguar I-PACE, o primeiro modelo totalmente elétrico da marca britânica.

A categoria é o primeiro campeonato oficial de carros de turismo elétricos e será um suporte para Fórmula E. As provas ocorrerão nos mesmos fins de semana e circuitos da F-E, com duração de 30 minutos e terão ainda um treino livre e uma sessão classificatória. Serão 20 pilotos de diferentes países disputando com carros iguais. A ação faz parte do comprometimento da Jaguar com a “eletrificação” dos seus carros – a partir de 2020, todos os modelos serão elétricos ou, pelo menos, híbridos.

E já temos brasileiros confirmados nessa disputa: Cacá Bueno e Sergio Jimenez, ambos pilotos da Stock Car, formarão o “time Brasil” nessa competição em que talento e “braço” serão fundamentais.

lll 9. Inovação

Ok, se eu consegui prender sua atenção até aqui, você já deve ter percebido que a Fórmula E procura ser sinônimo de inovação, correto? Caso ainda não tenha ficado muito claro, a F-E busca, desde o seu surgimento, romper as barreiras do automobilismo tradicional e conquistar um novo espaço através da inovação, sem perder a competitividade. O resultado é exibido em um laboratório a céu aberto e deve impactar diretamente nos carros de rua que teremos nos próximos anos.

E os esforços só tendem a aumentar. Alejandro Agag declarou recentemente que a categoria terá cerca de 15 grandes parceiros nesta 5ª temporada, e com as cotas generosas de patrocínio, os investimentos serão maciços, principalmente no marketing.

Uma das principais apostas é o Live Ghost Racing Game (ou jogo de corrida fantasma ao vivo). Nele, espectadores do mundo inteiro poderão “participar” da corrida ENQUANTO ela acontece. Através de tecnologia de ponta, os tempos reais de corrida serão replicados em computação gráfica, espelhando a posição de todos os carros na pista e nós – sim, eu e você – poderemos competir diretamente contra os pilotos reais, registrar o tempo dentro do jogo e tudo mais! Obviamente, todas as ações jogo poderão compartilhadas nas redes sociais. O jogo ainda não tem data de lançamento, mas nele também será possível disputar corridas passadas, assim você poderá lutar pelo título de 2017-18 com Jean-Eric Vergne e Sam Bird, por exemplo. Tudo isso pelo seu celular, tablet, PC ou VR. Surpreendente e assustador, não é mesmo?

lll 10. O Gen2

Deixei este tópico por último e sou suspeitíssima para falar sobre ele por um motivo bem simples: sou completamente apaixonada pelo Gen2!

A segunda geração dos carros da Fórmula E foi exibida pela primeira vez no dia 6 de março de 2018 no Salão do Automóvel de Genebra, na Suíça. Com um design futurístico, a atração roubou olhares do mundo inteiro – e não poderia ser diferente! Rapidamente apelidado de “Batmóvel”, o Gen2 ganhou destaque nas principais mídias automobilísticas de todo o globo.

Foto Divulgação FIA

São 250kW de potência máxima, 200kW em modo de corrida, que podem fazer o carro atingir 280 km/h. a nova bateria possui o dobro da capacidade da anterior, eliminando, assim, a necessidade da troca de carros. As dimensões do carro são 5,16m de comprimento, 1,70m de largura e 1,05m no ponto mais alto. Tudo isso para ir de 0 a 100 km/h em apenas 2.8 segundos.

A primeira demonstração pública do Gen2 foi realizada no fim de semana do ePrix de Berlim, em maio desse ano. A máquina foi pilotada pelo campeão de F1 – e acionista de F-E – Nico Rosberg. O desempenho foi impressionante.

A pré-temporada, que aconteceu de 16 a 19 de outubro em Valência na Espanha, mostrou que os carros estão cerca de 1 segundo mais rápidos que os do ano passado. Além disso, tivemos a primeira experiência real de um Fórmula E andando na chuva e o resultado não poderia ter sido melhor: carros rápidos, pilotagens seguras e nenhum acidente.

Agora é só esperar pelo ePrix de Al Diriyah, na Arábia Saudita. Então não esqueça: 15 de dezembro no Fox Sports nós temos um encontro marcado com a 5ª temporada da Fórmula E!

Cinthia Maria

Cinthia Venâncio comenta zoeiramente a Fórmula 1 desde os sete anos de idade e nas horas vagas é profissional de marketing, fotógrafa, doceira, redatora e revisora. Como todo bom cearense, nunca diz não a um baião de dois com queijo coalho e carne de sol. Aprecia rock do bom, não tem vergonha de dizer que não é fã do Tarantino e sempre é a motorista da rodada. Geralmente esquece o que não deveria