10 de Maio de 1975 – O Mundo Recebia Hélio Castroneves | Boletim do Paddock

10 de Maio de 1975 – O Mundo Recebia Hélio Castroneves – Dia 353 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo

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Graças ao sucesso de tantos brasileiros no mundo do automobilismo a partir das décadas de 70 e 80, o nome do país ficou de vez sedimentado como uma das principais fábricas de pilotos do planeta. 42 anos atrás, o Brasil ganhava um de seus principais embaixadores no esporte, que ao contrário de Sennas e Piquets, decidiu levar seus talentos para América do Norte, onde escreveu seu nome na história inúmeras vezes e se tornou uma das faces de outra geração brasileira extremamente bem-sucedida na velocidade.

Helio Castroneves. Fonte: @Twitter

Hélio Castro Neves nasceu em Ribeirão Preto no dia 10 de Maio de 1975, filho de um vendedor de carros e futuro dono de uma equipe de Stock Car, foi exposto a velocidade logo cedo e começou sua carreira no kart ainda na infância. Em 1989 conquistou o campeonato brasileiro de kart, partindo para o mundial da categoria no ano seguinte. Em 93 brilhou com um 2º lugar em sua temporada de estreia na Fórmula 3 brasileira e em 94 assumiu um dos cockpits da Paul Stewart Racing na Fórmula 3 britânica. Dois anos depois, Hélio cruzou o Atlântico para seguir sua carreira na Indy Lights, categoria de acesso da IndyCar. Seu primeiro ano foi ligeiramente inconstante, mas ainda contou com uma vitória e três pódios, no entanto, 1997 trouxe uma temporada extremamente bem-sucedida, 3 vitórias e 7 pódios foram suficientes para um sólido vice-campeonato, apenas 4 pontos atrás do campeão, seu companheiro de equipe e compatriota, Tony Kanaan. Os grandes resultados da dupla garantiriam um assento para Castroneves na equipe Bettenhausen para a temporada de 1998 na CART e Tony seguiu para a Tasman Motorsport na mesma categoria.

Indycar Mexico City 2003 Tomas Scheckter, Helio Castroneves e Scott Dixon Fonte: Montosport

Hélio foi constante pela Bettenhausen, conquistando seu primeiro pódio em sua 7ª corrida na categoria. Os resultados na temporada de estreia foram suficientes para render uma 2ª posição na eleição de novato do ano, atrás apenas justamente de Tony Kanaan. Em 1999 foi para a equipe Hogan e garantiu sua primeira pole na categoria, além de mais um pódio. A performance abriu os olhos da grande equipe Penske, que o contratou para a temporada de 2000, se iniciava assim, uma parceria que iria durar quase 20 anos. O brasileiro aproveitou os novos ares para conquistar sua primeira vitória na categoria em Detroit, na 7ª etapa do ano. A explosão de felicidade foi tamanha que Hélio estacionou seu carro na pista e escalou o alambrado após a prova, o gesto se tornou marca registrada do piloto e seria repetido após todas as suas vitórias. Além dessa, outras duas vitórias e um 2º lugar marcariam um começo promissor na nova equipe, o qual serviria de base para um 2001 ainda melhor. Os resultados de expressão foram os mesmos, três vitórias e um segundo lugar, todavia, a constância no resto do ano alavancou o piloto para a 4ª posição no geral.

Helio Catroneves na Penske em 2000. (Fonte: @Tumblr)

Esse mesmo ano marcou a primeira investida de Hélio nas 500 milhas de Indianápolis. Logo em sua participação de estreia, o brasileiro segurou a pressão de seu compatriota Gil de Ferran e venceu a histórica Indy 500. O resultado, em primeira instância, significou uma linda dobradinha da equipe Penske, que buscava redenção de resultados ruins nos anos anteriores. Já em outra ótica, essa batalha não só proporcionou dois brasileiros nos degraus mais altos do pódio no ápice do automobilismo norte-americano, como também contribuiu para 3 pilotos tupiniquins no Top 5 da prova, já que Bruno Junqueira havia terminado na 5ª colocação. Castroneves completou a transição para a IndyCar em 2002 e voltou a vencer as 500 milhas, agora acompanhado pelo brasileiro Felipe Giaffone no pódio. A partir desse ponto, o piloto da Penske virou presença constante em brigas por vitórias e títulos.

Helio Castroneves na Hogan em 1999. (Fonte: @Tumblr)

Entre 2002 e 2017, o brasileiro terminou o ano fora do Top 6 apenas em 2011, provando seu talento e estabelecendo seu nome como um piloto de elite. Apesar de não levantar a taça em nenhuma ocasião, terminou entre os três primeiros em 7 temporadas, além de mais uma vitória na Indy 500 em 2009, portanto, usar a falta de títulos como um argumento para tirar os méritos de uma carreira como essa é simplesmente covardia. Os resultados de Hélio transcenderam pacotes aerodinâmicos, motores diferentes e eras distintas da categoria, haja vista que a performance de altíssimo nível foi mantida por quase duas décadas.

Castroneves é o dono dos recordes de mais corridas concluídas no Top 10, mais poles e mais temporadas consecutivas com pelo menos uma vitória, além disso, é o único estrangeiro a ter conquistado três vitórias nas 500 milhas de Indianápolis e o brasileiro com o maior número de vitórias na categoria. Além de todo sucesso dentro das pistas, Hélio também era destaque fora delas, sendo querido no mundo do automobilismo, considerado um grande amigo e uma pessoa de muito carisma. O brasileiro inclusive coroou seu já extenso currículo como o título da 5ª temporada do reality show americano “dançando com as estrelas”, provando que seus talentos se estendem para outras áreas também.

Tal qual diversos outros personagens que inclusive já foram citados nessa série, a carreira de Hélio Castroneves serve para nos mostrar que sucesso no automobilismo não se resume apenas a Fórmula 1. Enquanto a mídia e muitas pessoas focam em apenas uma categoria, brasileiros como Ferran, Tony e Hélio trilham carreiras simplesmente históricas e representam nosso país de uma maneira espetacular em outros palcos, estabelecendo marcas, quebrando recordes e emocionando todos que tem o privilégio de assistir e estudar seus feitos.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.