07 de Janeiro, e o maior de todos os ingleses – Dia 231 dos 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo

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Recordista em pontos na história da Fórmula 1, com 2.610 no total; único piloto a vencer em 24 circuitos diferentes; ninguém saiu na pole position mais vezes do que ele (72), nem fez três corridas perfeitas – os míticos grand slams – em uma só temporada. Em um dos berços do automobilismo, a Grã-Bretanha, é o filho de maior sucesso, com o maior número de vitórias (62) e quatro títulos mundiais. E, para completar, com apenas 33 anos (completados hoje) já ostenta o título de Sir Lewis Carl Davidson Hamilton.

Nascido em 07 de janeiro de 1985 em Stevenage, uma cidade de 87 mil habitantes 50 km ao norte de Londres que remonta à época da ocupação romana da Grã-Bretanha, Lewis é descendente por parte de pai de granadinos, enquanto sua mãe é uma britânica típica, com quem o pequeno Lewis foi morar após a separação dos pais em 1987. Ele conviveu com as mulheres da família (também viviam juntas duas meia-irmãs, Nicola e Samantha) dos dois aos doze anos, quando mudou para a casa do pai, onde cresceu com a madrasta Linda e seu meio-irmão Nicolas “Nic” Hamilton, hoje também piloto competindo pela Copa Clio Britânica em carro modificado, uma vez que convive com uma paralisia cerebral.

Fonte: Le Buzz Eurosport

Embora Lewis Carl negue que seu nome foi uma homenagem invertida ao famoso velocista americano, ele confirma outra história de sua infância, a que diz que sua paixão por corridas de carro começou aos seis anos de idade, ao ganhar um carrinho de controle remoto do seu pai. O velho Anthony, que sempre foi severo com o filho, prometeu que apoiaria sua carreira como piloto desde que Hamilton fosse bem nos estudos, e no natal o pequeno ganhou um kart de presente (era um veículo bem usado, mas custou praticamente o orçamento mensal da família).

Fonte: Formula 1

Parênteses: Já que falamos de Carl Lewis, linquemos com outro americano espetacular no atletismo: Jesse Owens humilhou Hitler ao ganhar quatro medalhas de ouro nas Olimpiadas de Berlim em 1936, mas sempre disse que gostaria de ter sido jogador de futebol; Hamilton também pensou em ser boleiro, e durante o período de estudos jogou no time da escola junto ao futuro meio-campo da seleção inglesa Ashley Young, mandando bem segundo os relatos. Acabou no asfalto, não na grama, mas soube escolher direito o time do coração, torcendo para o mesmo Arsenal do Nick Hornby. Fecha parênteses.

Fonte: Lewis Hamilton

Dono de um kart aos 8 anos, e com o pai trabalhando em três empregos para pagar os custos do início da carreira, Lewis desde o início se mostrou rápido e competitivo, além de ser cara de pau; com dez anos encontrou com Ron Dennis em um evento, foi pedir um autódromo e se apresentou: “Oi. Eu sou Lewis Hamilton. Eu ganhei o campeonato inglês de kart e um dia eu quero pilotar seus carros”. O chefão da McLaren escreveu no autógrafo: “Me ligue em nove anos, vamos ver se conseguimos alguma coisa para você”.

Quando completou 12 anos ele tinha um futuro tão grande pela frente que alguém cravou 40/1 em uma das mais famosas casas de apostas de Londres que ele venceria uma corrida de Fórmula 1 antes dos 23 anos. Outra aposta, esta pagando 150/1, predizia que ele seria campeão do mundo antes dos 25.

Ron Dennis não esperou os nove anos para entrar em contato: em 1998, apenas três anos após o encontro, o telefone da casa dos Hamilton tocou, e era o dirigente entrando em contato com o piloto para torna-lo parte do programa de desenvolvimento da McLaren. Hamilton foi escalando com sucesso os pelotões intermediários: Fórmula Renault, F3 inglesa, F3 europa e, em 2006, foi campeão em seu único ano na GP2. Era hora de ganhar a categoria máxima.

Em 2007 a McLaren tinha resolvido trocar tudo: com Raikkonen indo para a Ferrari e Montoya já tendo abandonado o barco antes para fechar com a CART NASCAR (canelada apontada pelo Edu Casola), Dennis resolveu pedir uma clássica dupla de pilotos mezzo experiente mezzo iniciante, e trouxe o então bicampeão Fernando Alonso para “ensinar” o padawan Hamilton. O problema é que se o espanhol não é reconhecido por sua paciência e espírito abnegado, o inglês nunca foi lá um exemplo de humildade e respeito à autoridade. Ainda mais subindo ao pódio já na estreia, com um belíssimo terceiro lugar na Austrália. Melhorando ainda mais um pouco, o rookie da temporada botou dois segundos lugares debaixo do braço no Baherin e em Barcelona, e tomou o recorde de piloto mais jovem a liderar um campeonato, que era de Bruce McLaren.

Se juntos já causavam, imagina juntos. Fonte: Autosport

No GP de Mônaco o climão da garagem vazou: após uma dobradinha ALO/HAM, Lewis disse que não estava sendo liberado para brigar com o companheiro de equipe na pista – a FIA chegou a investigar o caso, porém nada foi comprovado. A primeira vitória veio no Canadá e a segunda foi já na semana seguinte, nos Estados Unidos. Após a etapa da França, oitava do campeonato, Hamilton tinha 14 pontos de vantagem para Alonso, o segundo colocado. Na etapa seguinte, um terceiro lugar em casa no GP de Silverstone o igualou a Jim Clark como os únicos britânicos a terminarem no pódio nove vezes em seguida – com a “pequena” diferença de que Lewis precisou de nove corridas na Fórmula 1 para fazer isso.

Faltando apenas as etapas de Shanghai e Interlagos, a liderança de Hamilton o permitiria vencer o campeonato antes da última corrida, mas uma derrapada na entrada dos boxes no grande prêmio oriental e um stall no câmbio na descida do lago o impediram de manter a liderança que tinha até então, dando o título para Kimi Raikkonen. Ou seja, Lewis não foi campeão nem aqui, nem na China. Ao menos o vice veio com o recorde de piloto mais novo a terminar a briga pelo título em segundo lugar, tomado em 2009 por Sebastian Vettel.

Muito se especulou se a disputa interna com Alonso e a falta de pulso firme de Ron Dennis fizeram que nenhum dos seus dois pilotos pudesse ganhar o título de 2007, mesmo com o melhor carro, e Alonso acabou se cansando e pedindo para sair (Capitão Nascimento diria que assumiu a posição de zero-dois). Hamilton ganhou de natal Heikki Kovalainen como novo companheiro de equipe, além de um contrato para permanecer na McLaren até o final de 2012.

A temporada de 2008 começou com Hamilton na pole e no alto do pódio desde a primeira etapa. Um grande highlight do ano foi o Grande Prêmio de Silverstone, debaixo de um temporal que só a ilha da rainha pode receber. A apresentação de gala e consequente vitória caseira até hoje é considerada uma das melhores da carreira de Lewis Hamilton, que na conferência à imprensa admitiu ter sido a corrida mais difícil e o primeiro lugar mais significativo que já havia alcançado na sua história. A disputa com Felipe Massa foi bastante encardida na metade final do campeonato. Chegando ao Brasil com 07 pontos de vantagem, bastava a ele um quinto lugar na corrida para tornar-se o campeão do mundo mais jovem da Fórmula 1. A prova foi épica, com direito a chuva vindo da represa, vitória de Felipe Massa, ultrapassagem de Vettel deixando o inglês numa insuficiente sexta posição, comemoração do Titônio e, infelizmente para nós brazucas, uma derrubada de 18 segundos de diferença para um pobre Glock que patinava no asfalto e uma ultrapassagem na última curva, fazendo de Hamilton o primeiro inglês campeão mundial desde o título de Damon Hill em 1996.

Fonte: Sky Sports

Entre 2009 e 2012 Hamilton teve altos e baixos na carreira, mas não foi páreo primeiro para as mágicas Brawn e depois para a dupla Newey & Vettel. Em 28 de setembro de 2012 Lewis anunciou que a parceria de uma vida com a McLaren chegara ao fim e que ele iria mudar de ares, assumindo a vaga da Mercedes deixada pela segunda aposentadoria de Schumacher. Tendo Nico Rosberg ao lado, Hamilton novamente dividiria a mesa de almoço no motorhome com o alemão que fora seu companheiro e rival no kart. Mesmo passando por um ano de adaptação à nova casa, a primeira vitória veio na Hungria e, ao final do campeonato, um quarto lugar geral mostrava que bons tempos estavam chegando.

Fonte: The Sun

A temporada de 2014 começou com a regra da numeração fixa, e Hamilton teve um surto de nostalgia ao escolher o 44 que usava nos tempos do kart. Uma Mercedes dominante já nos testes de pré-temporada adiantava que a guerra seria intestina, e Nico e Lewis passaram o ano trocando jabs e fintas até Spa, mas depois o inglês engatou uma série de cinco vitórias consecutivas (Itália, Cingapura – é estranho, mas é com “C” mesmo – Japão, Rússia e USA) e levou o bicampeonato no infame GP dos pontos dobrados em Abu Dhabi.

O tricampeonato em 2015 veio ainda mais fácil, com três corridas de antecedência e vários recordes batidos. Ninguém chegava na Mercedes, e após três anos de supremacia sobre Rosberg parecia que Hamilton tinha uma autobahn aberta à sua frente.

Mágico. Fonte: The Daily Mirror

Só que o filho do Keijo, mesmo não tendo o charme do bigode do pai, não iria desistir antes de carimbar as faixas do inglês: provando que não era apenas um rostinho bonito no grid, Rosberg passou o ano inteiro focado em ganhar o campeonato, e foi recompensado numa última prova cheia de controvérsias, com o alemão acusando Hamilton de deliberadamente reduzir o ritmo na liderança para deixa-lo à mercê da matilha de lobos que vinha atrás, na esperança de que Vettel ou Verstappen fizessem a ultrapassagem para o segundo lugar, dando o quarto título ao inglês.

Tendo alcançado seu objetivo (vencer um campeonato, e sobre Hamilton), Rosberg ligou para o pai, disse “estamos quites” e deu tchau ao circo. Como já está se tornando tradição, sempre que um grande rival deixa o lado de lá dos boxes vazio Lewis ganha um colega finlandês. Em 2017, ainda com o melhor carro (“ma non troppo, catzo!”, diria Vettel) e ao lado do inexpressivo Valtteri Bottas, bastou a Hamilton controlar a Ferrari para se tornar tetracampeão do mundo. Colecionando recordes na mesma quantidade que acumula controvérsias (na mais recente, por motivos desconhecidos até o momento em que esta coluna está sendo escrita, o piloto apagou todas as postagens de suas contas no Instagram e Tweeter), inegavelmente Lewis Hamilton já tem um lugar garantido no panteão dos melhores pilotos da história. E ainda quer mais.

Fonte: Takanuka

FORA DAS PISTAS

Hamilton obliterou a concorrência pela sua importância no automobilismo, mas o texto principal poderia ter sido sobre outros eventos importantes para a F1, como a indicação de Christian Horner como chefe de equipe na Red Bull em 2005, ou a compra de 50% da Ferrari pelo grupo Fiat, em 1969, trazendo os Agnelli para o lado da família do Comendador Enzo.

Ainda no segmento automobilismo, em 07 de janeiro de 1956 nos foi apresentado o Plymouth Fury sport coupe, carro que ficaria icônico na cultura pop em seu modelo 58 como a Christine, de Stephen King. O filme é médio, o livro é um dos melhores do mestre.

E quem faz aniversário no mesmo dia de Hamilton é outro gênio controverso em sua área. Nascido em 1964, Nicolas Kim Coppola é sobrinho do famoso diretor de O Poderoso Chefão e, para não ser acusado de utilizar o sobrenome como trampolim para sua carreira adotou o sobrenome de seu herói preferido, Luke Cage. Muitos o consideram um canastrão, mas um cara que fez A Rocha, Despedida em Las Vegas, Con Air, A Outra Face e 60 Segundos, entre outros, não pode nunca ser esquecido. Godspeed, Nicolas Cage.

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.

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