Viradas em decisões na Fórmula 1

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Dos 67 campeonatos de Fórmula 1 disputados, 2016 foi a 29ª vez em que o campeão foi coroado na última prova do ano. Nas 28 decisões já ocorridas na derradeira etapa, em apenas 10 ocorreram viradas, e fato curioso, das 10 em apenas 3 a briga era mano a mano como a que assistimos em Abu Dhabi entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton, porém como sabemos não houve uma virada.

Vamos relembrar na coluna de hoje as decisões em que ocorreram viradas e os favoritos amargaram derrotas que pareciam improváveis:

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Fonte: @Tumblr

O primeiro campeonato da Fórmula 1 já teve uma decisão espetacular. O campeonato chegava a Monza com Juan Manuel Fangio 26 pontos, Luigi Fagioli 24 pontos e Giuseppe Farina 22 pontos, os três pilotavam para a Alfa Romeo.

Fangio teve problemas quando era o líder, tendo que parar nos boxes, assumindo o carro de Piero Taruffi, mas este também apresentou problemas.

Farina venceu chegando a 30 pontos e como Fangio foi apenas o 6º e Fagioli o 3º Nino sagrou-se o primeiro campeão da Fórmula 1, na Itália e com um carro italiano.

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Fonte: @Tumblr

O classificação antes do GP do México era: Graham Hill (BRM) 41 (39 com os descartes), John Surtees (Ferrari) 34 e Jim Clark (Lotus) 30. Graham Hill teve problemas e estava fora da zona de pontos, Jim Clark liderava com John Surtees em 4º, tal posição dava o bicampeonato ao piloto da Lotus, mas restando 2 voltas Clark com problemas na Lotus diminui seu ritmo caindo para 5º Dan Gurney passou a liderar seguido pelas Ferraris de Lorenzo Bandini e John Surtees, a Scuderia manda inverter a posição dos pilotos o que dá o título ao britânico, o único até hoje campeão na Fórmula 1 e também na Motovelocidade.

Curiosamente a Ferrari disputou esta prova com uma pintura azul e branca, cores de um representante da marca nos Estados Unidos, Surtees marcou menos pontos que o vice Graham Hill (40 contra 41 do piloto da BRM) mas beneficiou-se pela regra dos descartes.

| 1976:

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A temporada inteira ficou eternizada pelo magnifico filme “Rush”, e claro que um campeonato tão marcante merecia uma decisão histórica e eletrizante. Niki Lauda literalmente renascido das cinzas de sua Ferrari chegou ao circuito de Fuji no Japão com 68 pontos contra 65 de James Hunt da McLaren. Um verdadeiro dilúvio caiu sobre Fuji naquele domingo, a largada da prova foi atrasada, cogitou-se até mesmo o cancelamento da prova. Mas havia muito em jogo, e a prova foi iniciada.

Após 2 voltas Lauda para nos boxes e abandona por entender que as condições estavam muito perigosas, o que serviu para azedar ainda mais seu relacionamento com a Scuderia. Hunt liderou desde a largada até apresentar problemas nos pneus restando 12 voltas, sendo superado pela Tyrrell de Depailler e pela Lotus de Andretti, mas a 3º posição ainda lhe dava o título. Restando 5 voltas teve que parar para trocar os pneus caindo para 5º lugar. James Hunt fez então as melhores 5 voltas de sua carreira dirigindo como um louco em uma pista molhada, com pouca aderência a visibilidade prejudicada, afinal a noite começava a cair na terra do sol nascente. Arriscando tudo superou Alan Jones (Surtees) e Clay Regazzoni (Ferrari), chegando em 3º e conquistando com uma surpreendente virada um merecido título.

| 1981:

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Carlos Reutemann (Williams) 49 pontos, Nelson Piquet (Brabham) 48 pontos e Jacques Laffite (Ligier) 43 pontos. A Fórmula 1 chegava a Las Vegas com 3 pilotos na disputa do título. O circuito montado no estacionamento do badalado hotel Caesars Palace serviu de palco para a primeira conquista de Nelson Piquet. Carlos Reutemann marcou a pole, mas perdeu posições logo na largada, Piquet em uma prova de cabeça e muita paciência superou Reutemann na volta 17.

Nesta altura Laffite estava em 5º, Piquet em 7º e Reutemann em 9º O brasileiro escalou o pelotão até chegar ao 3º lugar, Laffite em 2º contava com um infortúnio do líder Alan Jones (Williams) e com a queda de rendimento de Piquet para se tornar o primeiro francês campeão; o rendimento de Piquet começou a cair, mas o de Laffite também, Reutemann se arrastava em um fraco 8º lugar. Nelson aguentou o forte calor e as fortes dores no pescoço completando a prova na 5º colocação, marcando os 2 pontos suficientes para a conquista do título.

| 1983:

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Enfim um motor turbo conquistaria o título da Fórmula 1, e parecia que tal primazia caberia aos franceses da Renault que haviam introduzindo os turbos na categoria em 1977. Alain Prost (Renault) 57, Nelson Piquet (Brabham) 55 e Rene Arnoux (Ferrari) 49 chegaram a etapa final no veloz Kyalami na disputa do título. Piquet assumiu a ponta logo na largada e graças a introdução do reabastecimento pelo projetista da Brabham, Gordon Muray, disparou na frente, fazendo com que Prost e Arnoux forçassem seus carros além do limite culminando no abandono de ambos.

Com Prost fora, bastava um 4º lugar para Piquet conquistar o bi, e claro que este diminuiu o ritmo de seu Brabham, sendo superado por seu companheiro Riccardo Patrese e por Andrea de Cesaris da Alfa Romeo, terminando em 3º e sagrando-se bicampeão.

| 1986:

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Adelaide receberia uma das maiores decisões de toda a F1, Nigel Mansell (Williams) 72, Alain Prost (McLaren) 65 e Nelson Piquet (Williams) 63 desembarcavam na Austrália como postulantes ao título. Mansell precisava apenas chegar ao podium para comemorar, Piquet e Prost precisavam vencer e torcer para o inglês não estar no podium. O favorito Mansell fez a pole, mas quem pulou bem na largada foi Piquet seguido por Senna (Lotus) e Keke Rosberg (McLaren). Keke logo assumiu a ponta e com a quebra de Senna, Nigel vinha em um apagado 4º lugar. Piquet roda na volta 22, caindo para 4º e Prost tem um pneu furado na volta 31, sendo obrigado a um pit volta em em 4º Mansell passa a 2º lugar, o título parecia cada vez mais próximo. Mansell extremamente conservador foi superado novamente por Piquet e Prost, voltando a estar no podium com o abandono de Keke.

Porém na volta seguinte o pneu traseiro direito da Williams n.º 5 explode em plena reta, acabava ali o sonho de Mansell. A Williams prefere não arriscar e chama Piquet para trocar pneus, Prost assume a ponta restando 18 voltas, e foi assim seguido por um alucinado Piquet com pneus novos e tendo que administrar o consumo de combustível que Prost venceu para conquistar seu bicampeonato.

| 1997:

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Parecia que o jejum ferrarista que já durava 18 anos finalmente terminaria naquele domingo em Jerez. Michael Schumacher chegava a última etapa com 78 pontos, 1 a mais que o rival Jacques Villeneuve da Williams. Jacques e Michael dividiam a primeira fila e o alemão pulou na ponta, aumentando as esperanças de que aquele era o dia da Ferrari. O alemão liderou quase todas as voltas sempre seguido de perto por Villeneuve. Após o segundo pit stop os rivais voltaram a pista bem próximos e na volta 47 na curva Dry Sack o canadense viu uma brecha e colocou sua Williams por dentro, a posição já estava ganha com meio carro à frente da Ferrari, eis que então Michael Schumacher resolveu repetir a manobra que havia dado certo em 1994, batendo propositalmente no rival com o objetivo de eliminar ambos e garantir seu tricampeonato. Só que desta vez não deu certo e o único eliminado da prova foi o alemão da Ferrari. Villeneuve diminuiu o ritmo e levou a Williams sem maiores sustos até o final, e nas últimas curvas cedeu posição para as McLarens de Mika Hakkinen e David Coulthard. Uma imagem famosa desta decisão foi quando Jean Todt foi até o pitwall da Sauber pedir que o argentino Norberto Fontana atrapalhasse o canadense da Williams.

Mas aquele não era o dia da Casa de Maranello, nem mesmo a presença de Jody Scheckter deu sorte ao time. A manobra de Schumacher lhe rendeu uma punição para inglês ver, sendo excluído da classificação do campeonato, mas não perdendo as 5 vitorias que teve no ano. Uma efeméride final: a última etapa deste ano estava marcada para o Estoril em Portugal, mas questões financeiras tiveram a prova da pista lusitana; naquela tarde choveu no Estoril e Schumy ganhou todas as provas disputadas sob chuva naquele ano.

| 1999:

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Em uma temporada super equilibrada, marcada pelo acidente de Michael Schumacher em Silverstone que forçou sua ausência nas 5 provas seguintes, a disputa pelo título em Suzuka seria entre o surpreendente Eddie Irvine que passou a liderar a Scuderia após o acidente de Schumy e Mika Hakkinen que tentava o bi pela McLaren. Irvine chegou a Suzuka liderando com 70 pontos contra 66 de Hakkinen. Ao finlandês bastava vencer, pois mesmo que Eddie fosse o segundo, o piloto da McLaren levaria o título por ter mais vitórias. Irvine contava com uma ajuda de peso, Michael Schumacher.

O alemão fez a pole dividindo a primeira fila com Hakkinen, Irvine começou a perder já no sábado classificando-se apenas em 5º no grid. Hakkinen pulou na ponta já na largada e fez uma corrida sem sustos para conquistar seu bicampeonato. Irvine se recuperou chegando em 3º A Ferrari pelo menos pode comemorar o título de construtores, que não conquistava desde 1983.

| 2007:

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Pela primeira vez desde 1986 três pilotos chegavam a última etapa disputando o título, um surpreendente Lewis Hamilton com 107 pontos era desafiado por seu companheiro de McLaren Fernando Alonso com 103 e Kimi Raikkonen da Ferrari com 100 pontos.

Só uma atuação desastrosa em Interlagos tiraria o título de Hamilton, e assim como já havia ocorrido na etapa anterior na China, o estreante Lewis errou no Brasil, primeiro ao tentar recuperar a posição sobre Fernando Alonso por fora na curva do Lago ainda na primeira volta, caindo para o 7º lugar, depois já com os nervos à flor da pele acabou desligando o carro no final da reta oposta despencando para o final do pelotão. Fez uma boa prova de recuperação chegando ao 7º lugar, mas a vitória de Raikkonen deu o título ao finlandês da Ferrari. Lewis e a McLaren teriam que esperar mais um ano para serem agraciados pela sorte em uma decisão de campeonato.

| 2010:

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Pela primeira e única vez na história da Fórmula 1 quatro pilotos poderiam ser campeões na última etapa de um campeonato. Fernando Alonso (Ferrari) 246 pontos, Mark Webber (Red Bull) 238, Sebastian Vettel (Red Bull) 231 e Lewis Hamilton (McLaren) 222, disputavam o título em Abu Dhabi. Mais uma vez parecia que a noite seria vermelha, mas o acidente entre Michael Schumacher (Mercedes) e Vitantonio Liuzzi (Force India) começou a mudar a sorte da Casa de Maranello, pois alguns carros aproveitaram o safety car para trocar os pneus pelos compostos mais duros e não precisar parar mais, entre eles Nico Rosberg (Mercedes) e Vitaly Petrov (Renault). Alonso vinha em 4º lugar a frente de Webber, o tri do espanhol parecia mais que encaminhando. Mas não era noite da Ferrari, Mark Webber toca levemente o guard rail na volta 10 sendo obrigado antecipar sua parada nos boxes. 4 voltas depois a Ferrari chama Alonso aos boxes, afinal estavam marcando Webber.

Quando Fernando sai dos pits a frente do australiano o narrador espanhol vai ao delírio. Só que havia um Petrov no caminho de Alonso. Era a volta 16, e o ferrarista favorito ao título tentou de tudo para ultrapassar o russo, sua luta durou até a volta 55, a última da prova. Alonso chegou em em 7º, seguido de Webber e o título ficou com um surpreendente Sebastian Vettel que venceu a prova e liderou o campeonato pela primeira vez, selando assim o primeiro título do piloto e da equipe Red Bull.

Por Cristiano Seixas, texto originalmente publicado em 23 de novembro de 2016, às 10:00, atualizado em 31 de agosto de 2017, às 18:50.

Cristiano Seixas

Fã hardcore de Fórmula 1, apreciador da história, números e estatísticas da categoria, mais conhecido como Mestre Cristiano Seixas, pois é um PHD e MDA em Fórmula 1 ainda é Graduado, Pós-Graduado, Mestrado e Doutorado sobre História da Fórmula 1, Wikipédia erra o Cristiano não.

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