O último ano da Manor na Fórmula 1

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Após dois anos extremamente conturbados, 2016 parecia representar a tão esperada calmaria, uma vez que o fantasma dos problemas financeiros que a equipe enfrentou em 2014 havia sido espantado. Entretanto, mesmo com um grande avanço de performance e até um ponto marcado, o futuro da Manor é incerto novamente.

Sem precisar improvisar chassis ou usar motores antigos, o começo de temporada da Manor já foi promissor, saindo de 4 segundos mais lenta em 2015 para a feliz proprietária de motores Mercedes em 2016. Além disso, a dupla de pilotos era composta por jovens empolgados por estarem dando seus primeiros passos na F1. Wehrlein buscava impressionar os chefões da Mercedes enquanto o figurante Haryanto jogava seu dinheiro indonésio no carro.

O MRT05 era modesto, porém eficiente. Nenhuma artimanha revolucionária foi testada e o arrojo passou longe, no entanto, o estilo conservador rendeu um bólido extremamente confiável, que não só adquiria muita quilometragem, como raramente deixava seus pilotos a pé, a não ser é claro quando a falha era humana. O motor Mercedes impulsionava os monopostos azuis e laranja muito bem na reta, enquanto o chassis era razoável na parte mista.

Como esperado, Werhlein colocou seu companheiro de equipe no bolso, e a superioridade em velocidade de reta do bólido ficou evidente no GP da Áustria, corrida na qual não foram necessárias condições extremas ou 1001 abandonos para que a Manor conquistasse seu primeiro ponto do ano, resultado que quase garantiu a 10ª posição nos construtores e uma premiação maior no final do ano.

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(Fonte da imagem: F1 Fanatic)

Eventualmente o dinheiro de Rio Haryanto acabou, e visto que seu talento não o manteria na categoria, o indonésio foi substituído, a partir do GP da Bélgica, por outra cria da Mercedes, Esteban Ocon. O francês não tinha o nem espírito de pay driver de Rio, nem a arrogância de Pascal. Chegou quieto e logo mostrou seu potencial, terminando todas as corridas em que largou, contra os três abandonos de Pascal no mesmo período, e superando seu companheiro de equipe na pista algumas vezes, com direito a uma atuação de gala sob a chuva forte que castigou Interlagos durante o GP Brasil, correndo nos pontos durante boa parte da corrida e terminando em 12º.

Nesse mesmo GP Brasil, Felipe Nasr garantiu os dois pontos que tirariam a Manor da 10ª posição, sendo forçada a terminar a temporada na amarga lanterna do campeonato e ver o dinheiro da premiação voar pela janela. Na pós temporada, Ocon assegurou um assento na Force India e Pascal buscou refugio na Sauber. De uma hora para outra a equipe estava cercada de contas a serem pagas e nenhum piloto com contrato assinado, tampouco patrocinadores interessados em ajudá-la.

Mais uma vez, até mesmo com o bólido de 2017 pronto para ser produzido, a Manor enfrenta sérias dificuldades financeiras e corre um risco real de não alinhar no grid em Albert Park. Nos resta apenas torcer pelo melhor e, quem sabe, a antiga Virgin, que virou Marussia, que virou Manor consegue continuar sendo a segunda equipe de todos em 2017.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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