O Grande Al – Dia 08 de 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada

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A história do automobilismo, especialmente o estadunidense, é marcado pela presença de clãs que construíram alguns dos nomes mais marcantes da história do esporte a motor. As glórias nas principais pistas dos Estados Unidos têm a assinatura de famílias como Andretti, Petty e Earnhardt. Mas uma família em particular tem Indianápolis como o seu principal salão de festas: os Unser.

Um dos maiores de Indianápolis (USA Today)

Um dos representantes mais vitoriosos do clã é Alfred Unser, ou simplesmente Al Unser, mais um integrante da família velocista, sendo o último de quatro irmãos, ao nascer em 29 de maio de 1939, em Albuquerque, estado do Novo México.

O pai, Jerry, e os tios, Louis e Joe, foram corredores tradicionais da subida da montanha de Pikes Peak, uma das corridas mais antigas da história. A segunda geração do clã Unser direcionou seu caminho para o campeonato da USAC (uma das antigas organizações responsáveis pela Fórmula Indy) e especialmente para as 500 milhas de Indianápolis.

O primeiro irmão a desbravar a Brickyard foi Jerry Jr, que correu a edição de 1958, mas se acidentou na largada. No ano seguinte, uma colisão durante a sessão de treinos livres tirou a vida de Jerry.

Em 1963, Bobby Unser foi o próximo da família da estrear na pista de 2,5 milhas. Dois anos depois, era a vez de Al estrear na grande prova. Na edição de 1965, Alfred era um dos principais novatos que fariam história no automobilismo americano, junto com Mario Andretti e Gordon Johncock.

O Unser mais novo fez uma corrida honesta, escapou das confusões e conseguiu chegar ao final, mesmo que quatro voltas atrás do vencedor, Jim Clark, o novato terminou em nono, enquanto Bobby abandonou. Ainda em 1965, Al ganhou sua primeira corrida pela Indy, que era nada menos que a subida da montanha de Pikes Peak. (que embora seja mais próximo a um rali, fazia parte do calendário da USAC).

Vindo de um clã vencedor, Al logo se colocaria como um dos grandes (International Motorsports Hall of Fame)

A glória em Indianápolis não tardaria a chegar para os irmãos Unser. Em 1868, Bobby venceu pela primeira vez na Brickyard. Era o início da era vitoriosa do clã. O próprio Bobby tomaria o leite da vitória em mais duas ocasiões (1975 e 1981), mas não seria o maior vencedor da família.

Em 1970, Al Unser foi o piloto do dia. A bordo do Colt-Ford da equipe de Parnelli Jones, Al liderou nada menos que 190 das 200 voltas da prova. Mesmo tendo concorrentes de peso como AJ Foyt, Jack Brabham, Mark Donohue, Dan Gurney, Mario Andretti e o próprio irmão Bobby, o Unser mais novo estava no rol dos vencedores do Troféu Borg-Warner. Além disso, o caçula também faturou campeonato da USAC no fim do ano.

A primeira vitória na Meca do Automobilismo (Projeto Motor)

Não bastasse isso, em 1971 Al repetiu a dose. Numa corrida acidentada, em que até o Pace Car bateu, o piloto aniversariante do dia (completava 32 anos no dia daquela edição) dominou a prova com tranquilidade e venceu sem dificuldades. Unser era o quarto piloto a vencer de forma consecutiva duas edições, assim como Wilbur Shaw (1939/40), Mauri Rose (1947/48) e Bill Vukovich (1953/54). Posteriormente, apenas Hélio Castroneves igualou a marca com os triunfos de 2001 e 2002.

Al chegou bem perto de obter algo que nenhum outro piloto até hoje não conseguiu: o tricampeonato consecutivo de Indianápolis. No entanto, não conseguiu chegar em Mike Donohue e acabou em segundo naquela prova.

Nos anos seguintes, Al seguiu ganhando provas esporádicas da USAC, mas havia o desafio de buscar novas conquistas. Em 1978, Unser mudou-se para a equipe Chaparral, de Jim Hall. Os resultados logo brotaram: na edição daquele ano das 500 milhas, Al liderou a partir da metade da prova, após um duelo nos boxes com Danny Ongais. Com a quebra do motor do piloto havaiano, o rival pela vitória seria Tom Sneva.

Após a última rodada de boxes, Al tinha 30 segundos de vantagem para Sneva, mas o oponente estava mais rápido nas voltas finais. Ainda assim, Unser conseguiu administrar e vencer com oito segundos de frente, para obter o terceiro triunfo na Brickyard.

Depois da terceira vitória na Meca do Automobilismo, a sequência não foi tão vitoriosa, mesmo quando se imaginava. Com mais de 40 anos e uma nova safra de pilotos chegando, a concorrência ficava cada vez mais difícil. Desses novos valores, estava inclusive a nova geração da família Unser.

O seu próprio filho, Alfred Jr entrava nas competições de monoposto dos Estados Unidos e, a partir de 1982, pai e filho estavam em provas do campeonato da CART, a organizadora dos campeonatos da Indy a partir da década de 1980. A partir de então, o genitor passara a receber a alcunha de “Al Sr”, “Senior” ou “Big Al”, enquanto o rebento seria chamado como “Al Jr”, “Junior” ou “Little Al”.

Em 1983, Al Unser Sr foi contratado pela poderosa equipe Penske. Com a confiança do capitão Roger, o veterano mostrou grande regularidade e superou o italiano Teo Fabi (que estreava na categoria) além de Mario Andretti, para ganhar o título da Indy naquele ano.

Era vitoriosa na CART (Jerry Winker/Comic Ozzie)

Dois anos depois, o campeonato teve uma disputa de título entre pai e filho, com os dois pilotos do clã Unser disputando o título com mais regularidade. Júnior venceu duas corridas contra uma do pai, no entanto, o veterano chegou na etapa final com três pontos de vantagem.

A prova realizada no Tamiani Park, em Miami, foi vencida por Danny Sullivan, com Bobby Rahal em segundo e Al Jr. em terceiro. Para ser campeão, o filho precisava que o pai terminasse no mínimo em quinto. E era essa a situação na última volta.

Al Sr. disputava a quarta posição com Roberto Pupo Moreno, que fazia sua melhor corrida na temporada de estreia na Indy. O brasileiro tentou fugir, mas após ser atrapalhado por um retardatário, não pôde segurar o ímpeto do veterano, que conseguiu a ultrapassagem decisiva. Ao final, pai e filho se abraçaram e se saudaram após a disputa emocionante entre ambos.

“É muito difícil tirar o título do meu filho. Quando eu estava chegando no Moreno, isso passou pela minha mente. Mas eu sou um piloto. Não conseguia tirar o pé! É muito difícil conquistar campeonatos, eu já estive antes nessa situação em que ele está. Quando você vence, serve como recompensa por todas as vezes em que ferrou. Mas ainda assim você se pergunta porque não deu certo. Mas ele vai conseguir ainda, ele é bom demais.”, declarou o Big Al após o fim da corrida.

Aquela foi sua última temporada completa na Indy, pois já tinha 46 anos, contra rivais bem mais jovens, como seu filho, que tinha metade da idade na época. Al Sr se revezava entre a Penske e a Granatelli durante as temporadas seguintes, mas sempre participando pela equipe mais forte nas 500 milhas de Indianápolis.

A grande vitória em 1987 (Indycar)

Em 1987, Al Sr. partiu como um mero azarão para a edição da Indy 500. O veterano só conseguiu a vaga no terceiro carro da Penske (com um chassi March do ano anterior) após Danny Ongais se machucar em um acidente nos treinos. O então tricampeão classificou-se em 20º e não estava entre os favoritos daquela prova.

Entretanto, a sorte estava do lado de Unser. Com as quebras de alguns dos principais candidatos à vitória, Al Sr. Se colocou em terceiro na segunda metade da prova e era o único carro da Penske na disputa, após os abandonos de Rick Mears e Danny Sullivan, o que levou o capitão Roger a deslocar mecânicos para o bólido que permanecia na corrida.

A prova parecia uma barbada para Mario Andretti, que dominou todos os treinos, largou na pole e liderava a maior parte da prova. Porém uma sucessão de problemas começou a afetar o seu Lola da Newmann-Haas. Com 23 voltas para o final, a mola de uma das válvulas se quebrou, provocando a pane fatal para as pretensões do ítalo-americano e aumentando em mais um ano a maldição dos Andretti no mítico circuito.

Quem assumiu a ponta foi Roberto Guerrero, que tinha praticamente uma volta de vantagem para Al Sr. Faltando 18 giros para o fim, o colombiano foi para sua última parada nos boxes. O problema era que a embreagem do seu March estava danificada após um toque no bico ocorrido em um acidente no meio da corrida. Com isso, o carro de Guerrero não conseguiu sair pelos próprios meios dos boxes, causando uma grande perda de tempo.

Quando o colombiano finalmente conseguiu voltar à pista, já estava há uma volta do piloto da Penske. Guerrero acelerou como pôde, até teve uma bandeira amarela para descontar as voltas, mas não conseguiu alcançar a ponta mais.

Prestes a completar 48 anos, Al Unser Sr. igualava AJ Foyt com quatro vitórias nas 500 milhas de Indianápolis (Rick Mears igualaria o feito em 1991, sendo os três os maiores vencedores da corrida) Também se tornou o mais velho vencedor da prova, com 47 anos e 360 dias, além de ser o recordista absoluto de voltas lideradas na prova, com 644 giros na ponta. Ambas as marcas permanecem até hoje.

A vitória trouxe grande comoção do público e de todos os envolvidos com a Indy, especialmente os membros da família Unser. O filho, Al Jr, terminou a prova em quarto saudou o pai ainda no carro quando voltavam aos boxes. O irmão, Bobby, que já estava aposentado e comentava a corrida pela ABC, emissora que transmitiu a prova nos Estados Unidos, estava visivelmente emocionado. Após a cerimônia da vitória, os dois conversaram durante a transmissão, num momento de pura emoção.

Al Sr. seguiu na Indy fazendo provas esporádicas, inclusive a Indy 500 pela Penske nos dois anos seguintes. Em 1990, disputou a tradicional prova pela Patrick, com o pouco competitivo March Alfa Romeo. Para piorar, o veterano fraturou a perna após um acidente nos treinos para a prova de Michigan e deixou a equipe.

O Big Al bem que tentou uma vaga para competir nas 500 milhas de 1991, mas não conseguiu um carro para competir naquele ano. O cenário parecia o mesmo em 1992, contudo, o grave acidente de Nelson Piquet abriu uma vaga na equipe Menard, assim, Al Sr. pôde voltar a disputar a prova.

Numa edição marcada por vários acidentes, o veterano sobreviveu como pôde levou o carro até o fim, com um honroso terceiro lugar, no ano em que seu filho vencia pela primeira vez a grande prova do automobilismo norte-americano.

No ano seguinte, terminou em 12º correndo com um Lola-Chevy da equipe King Racing. Já em 1994, Al Sr. tentou se inscreveu para participar da prova com um Lola Ford da modesta Arizona Motorsports, mas como o desempenho não era satisfatório, Big Al resolveu deixar a disputa e anunciou sua aposentadoria das pistas.

Al Unser retornou a sua cidade natal e montou junto com sua família o Unser Racing Museum, com toda a memorabilia da carreira dos pilotos do clã, preservando uma história vitoriosa e com muitos momentos inesquecíveis.

O clã Unser em 2015 (Projeto Motor)

Fonte: Grande Prêmio, Projeto Motor e Wikipedia

Eduardo Casola

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!

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