O Fim da Era BMW na Fórmula 1 – Dia 69 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada

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Após décadas fornecendo motores, a BMW finalmente entrou como equipe própria em 2006 ao completar a compra da Sauber. A passagem do time pela categoria misturou alegrias e sustos enquanto revelava grandes nomes para o mundo do automobilismo e chegava a desafiar as gigantes Ferrari e McLaren. Entretanto, em 29 de Julho de 2009 a história meteórica da BMW F1 Team chegava ao fim.

F1.09 – Fonte: BMW

Mesmo com uma relação saudável e bem-sucedida entre BMW e Williams nos primeiros 5 anos de fornecimento de motores, contando inclusive com pódios, vitórias e uma posição praticamente garantida no Top 3 dos construtores em todas as temporadas, 2005 foi um ano atribulado. A queda de rendimento do time inglês os colocou em 5º no campeonato, posição mais baixa desde a chegada dos alemães. Para piorar ainda mais a situação já crítica em Grove, a BMW continuamente afirmava que seu motor era capaz de brigar pelo título mas sua capacidade esbarrava no chassis mal nascido da Williams. Ao final da temporada, a montadora chegou a tentar comprar o time, mas o não de Frank Williams fez com que as atenções da BMW se voltassem para a modesta Sauber, que havia batalhado para terminar os construtores em 8º na ocasião.

FW 26 Fonte: BMW

2006 tinha tudo para ser um ano de reconstrução e transição para a BMW. Nick Heidfeld foi levado da Williams para substituir Massa e Villeneuve foi mantido na equipe. Mesmo com baixas expectativas, o desempenho da equipe foi animador logo no começo da temporada, atraindo ainda mais patrocínios e consequentemente aumentando o orçamento do time. Com atualizações em praticamente todos os GPs, a BMW virou presença constante nos pontos e aos poucos começou a escalar o pelotão. A promessa Robert Kubica assumiu o cockpit do canadense após o GP de Alemanha devido à ressalvas quanto ao preparo físico de Villeneuve. Já na corrida seguinte, Heidfeld conseguiu colocar a BMW no pódio pela primeira vez como equipe própria, coroando um ano extremamente proveitoso dos alemães. O time saiu de 8º para 5º, mostrando o poder de fogo trazido pela montadora não só na produção de motores.

Seguindo a curva ascendente, o ano seguinte viu o primeiro monoposto 100% construído pelos alemães, e o salto em performance foi assustador. Com a combinação ideal de pilotos rápidos e um carro muito bem projetado, a BMW pontuou em todas as corridas do ano e só não largou com os dois carros entre os 10 primeiros na Bélgica, graças ao 14º lugar de Robert Kubica no grid. Ainda na primeira metade do campeonato, o GP do Canadá foi certamente o mais intenso do ano para a equipe, mesmo que de forma totalmente antagônica para seus pilotos. Após terminar três das cinco primeiras corridas em 4º, Heidfeld finalmente conseguiu subir ao pódio em 2007, terminando a prova em uma sólida 2ª posição, todavia, os olhos do paddock estavam voltados para a outra BMW, que não havia terminado a prova. Ainda na volta 26, Robert Kubica perdeu o controle do seu bólido e atingiu em cheio o muro interno na entrada do hairpin. Apesar da gravidade e da plasticidade do acidente, a célula de proteção provou sua eficiência e o polonês saiu do impacto apenas com um tornozelo torcido, perdendo somente uma corrida enquanto se recuperava fisicamente. Para o seu lugar, a equipe promoveu o jovem de 19 anos que ocupava a posição de piloto de testes até então. Seu nome, Sebastian Vettel. O alemão estreou com muita autoridade, colocando seu carro no Q3, largando em 7º e terminando a prova em 8º, tornando-se o piloto mais jovem a conquistar um ponto na categoria. Vettel seria contratado pela Toro Rosso para terminar 2007 como piloto titular em Faenza e o resto é história. Com a desclassificação da McLaren, os alemães terminaram o ano na vice colocação, retirando oficialmente seu nome do pelotão intermediário.

Jacques Villeneuve em 2006 – (Fonte: BMW)

Se em 2007 os pontos tinham se tornado constantes, em 2008 foi a vez dos pódios. Em uma temporada em que equipe e pilotos viviam seu auge, a BMW passou de coadjuvante para protagonista, conquistando 11 pódios em 18 etapas. O primeiro semestre do time foi arrasador, com exceção de um abandono na etapa de abertura, Kubica não terminou uma corrida fora do Top 5 nas primeiras 8 etapas, enquanto Heidfeld, embora inconsistente, também angariava pontos preciosos. O ápice da melhor temporada da BMW na categoria ironicamente aconteceu na mesma pista em que o time havia vivido seu final de semana mais intenso de 2007. Em um GP do Canadá extremamente movimentado, Kubica assumiu a ponta na 2ª metade da prova e liderou a dobradinha da BMW até a bandeirada, sendo o primeiro polonês a vencer um GP, o primeiro e único piloto a conquistar uma vitória pela BMW e o líder do campeonato de pilotos saindo de Montreal, tudo isso no mesmo circuito em que quase perdeu a vida. Kubica eventualmente perderia terreno na briga pelo título, uma vez que a equipe já tinha mudado seu foco para 2009, visto que uma grande mudança de regulamento estava à caminho, mas alguns pódios e pontuações sólidas no segundo semestre foram suficientes para manter a equipe em terceiro nos construtores, figurando entre as grandes mais uma vez.

Friday, April 25, 2008 Spanish Grand Prix, Circiut de Catalunya , Barcelona, Spain. Robert Kubica (POL) in the BMW Sauber F1.08 This image is copyright free for editorial use © BMW AG.

A equipe entrou 2009 com expectativas de brigar pelo título, mas como a Fórmula 1 sempre nos ensina, a expectativa é o primeiro passo para a decepção. O começo de temporada foi desastroso para os alemães, somando 6 pontos nas 6 primeiras etapas. Uma grande atualização foi prometida para a Turquia, mas a tempestade de má sorte continuava castigando a equipe. A nova versão do KERS que a BMW utilizaria não coube no carro e o time decidiu abandonar o dispositivo de vez até o final do ano. Mesmo com mais alguns pontos conquistados em Istambul, a performance pífia do time no começo de 2009 foi suficiente para ser a gota d’água para a saída da montadora no final do ano, alegando também a sustentabilidade como um dos obstáculos para a permanência da gigante na F1. A equipe ainda conquistaria pontos sólidos e até um pódio em Interlagos, mas o fim já estava selado desde de Julho e a após anos de glória e nomes como Robert Kubica e Sebastian Vettel revelados, a história da BMW na Fórmula 1 chegava ao fim de maneira melancólica.

No final de 2009, a equipe seria vendida de volta para Peter Sauber, recebendo a entrada deixada pela Toyota na categoria. Mesmo utilizando motores Ferrari, a montadora deixou uma última marca curiosa na equipe. Com o intuito de não perder o dinheiro da premiação do ano anterior, Peter decidiu manter o nome do time até o final de 2010, gerando a sensacional BMW Sauber-Ferrari, última herança de anos áureos da gigante alemã na categoria.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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