O dono do touro vermelho – Dia 364 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo.

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Como é que um cara que nasceu num distrito rural de 2.557 habitantes no meio da Áustria, filho de professores primários, e que levou 10 anos para terminar a faculdade foi parar numa coluna sobre a história da Fórmula 1 sem nunca ter pilotado um carro (e raramente ir a um GP)? Graças ao gaur, também conhecido como bisão indiano.

Didi tem motivo para rir à toa. Fonte: Kleine Zeitung

Dietrich “Didi” Mateschitz nasceu em Sankt Marein im Mürztal, na Áustria, mas tem ascendência croata. Seus pais separaram-se quando ele ainda era muito pequeno. Chegou a duras penas à Universidade de Economia de Viena, onde levou 10 anos para conseguir um diploma em marketing; começou trabalhando em campanhas de detergentes para a Unilever, depois com pasta de dentes na Procter & Gamble. E em 1984, numa viagem a negócios, conheceu na Tailândia uma bebida chamada Krating Daeng, que surgiu no sudeste asiático em 1976 e foi adotada por caminhoneiros, peões de obra e fazendeiros de arroz. Sofrendo com o Jet Lag, abriu uma latinha dessa bebida e após tomar seu conteúdo começou a sentir-se melhor. Vendo que o tal Daeng fazia sucesso, resolveu pesquisar de onde vinha e como era feita. Descobriu que seu dono e criador, Chaleo Yoovidhya, deu o nome ao preparado de água, açúcar, cafeína e taurina – um ácido encontrado na bile de mamíferos – em homenagem ao um tal gaur, para passar a impressão de que a bebida traria a quem a tomasse a força de um touro.

Chaleo, o dono da ideia original. Fonte: Prabook

Mateschitz viu aí uma oportunidade, já que não havia nada parecido no ocidente. Inclusive, ao ser perguntado de que tamanho ele imaginava ser o mercado de energéticos no mundo, ele respondeu: “Não há mercado. Vamos criá-lo“. Sempre correto nos negócios, deu 49% da empresa ao Seu Chaleo (que faleceu em 2012), ficando com parte igual e deixando 2% para o filho do tailandês, Chalerm.

O diferencial foi justamente a estratégia de marketing. Reinvestindo até 30% do lucro em propaganda (em comparação, a Coca-Cola reserva 9% do orçamento para isto), o austríaco tomou de assalto a Europa e a América. “Quando começamos a vender, os fabricantes tradicionais disseram que era só moda; quando paramos de contar, tínhamos 142 marcas nos copiando“, disse Dietrich.

O Krating Daeng original. Fonte: Flickr

E grande parte do sucesso se deu graças à estratégia de aliar a marca aos esportes radicais; a busca do ser humano ao limite sempre foi cobiçada pela Red Bull. E, em termos de velocidade, nada igual à Fórmula 1. Pensando nisso, em novembro de 2004 Mateschitz comprou a Jaguar de seu dono anterior, a Ford, e a renomeou como Red Bull Racing. Menos de um ano depois, juntou esforços com seu conterrâneo Gerhard Berger e compraram a Minardi. Os dois austríacos utilizaram a classificação internacional de nacionalidades de Sérgio Siverly e a renomearam como Scuderia Toro Rosso, o nome italiano para touro vermelho.

Fonte: Yanko Design

Didi também comprou o circuito tradicional de A1-Ring, renomeando-o como Red Bull Ring, e conseguiu inseri-lo no circuito mundial.

Ou seja, mesmo preferindo assistir às corridas pela tv, um cara que hoje vale mais de 12 bilhões de dólares, tem brevê e pilota seus próprios Falcon 900 e Piper Super Cub, e é dono de uma ilha em Fiji aonde chega via seu submarino DeepFlight Super Falcon de 1,7 milhões de dólares, Didi Mateschitz é alguém que merece figurar, no seu aniversário, aqui no 365 dias.

Até porque este artigo foi produzido enquanto eu tomava uma bela dose de Jack Daniel’s com Red Bull.

lll FORA DAS PISTAS

Exatamente no mesmo dia em que Dietrich Mateschitz nascia na Áustria, em Sheffield, na Inglaterra, vinha ao mundo o genial Joe Cocker. Vou reproduzir aqui um post de 2007 do arcaico Melhor Blog Sobre Nada:

“É impressionante como algumas coisas que já vimos várias vezes não param de nos surpreender e nos emocionar. Para mim, alguns exemplos são o Dark Side of The Moon, Pet Cemetery (o filme e a música), O Iluminado (o filme e o livro). E esse vídeo aí embaixo, de 1969, quando em pleno Woodstock Joe Cocker barbarizou com With a Little Help from My Friends, dos Beatles.

Magrinho e novinho, o velho Joe nem de longe exibe a forma robusta de seus últimos anos, provando a descendência de Gimli, filho de Glóin. Chapadaço até os tornozelos, embarca numa coreografia à lá Edgar, depois que foi possuído pela barata gigante de MIB. E, apesar de (ou devido a) tudo isso, consegue interpretar a música com uma sinceridade e paixão que levou Lennon a dizer: “até que enfim alguém conseguiu cantar isso de uma maneira decente”.

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.

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