Justin Wilson: um grande piloto – Dia 70 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada • BP • Boletim do Paddock

Justin Wilson: um grande piloto – Dia 70 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada

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A carreira de um piloto de corridas exige muitos sacrifícios e desafios. Um destes fatores de corte está justamente na questão do tamanho, pois os cockpits cada vez mais apertados dos monopostos impedem que corredores mais robustos ou mais altos entrem nos carros. Numa modalidade esportiva que exige muito do físico, o piloto de corridas é um dos atletas que mais sofrem neste aspecto.

Mesmo diante destas adversidades, há quem encare os estereótipos e se arrisque. Neste item, um nome entrou para a história recente do esporte a motor, infelizmente por um motivo trágico. No entanto, o automobilismo mundial vivencia nos dias atuais parte do seu legado dentro das pistas. Falo de Justin Boyd Wilson. O piloto britânico teve uma trajetória com muitas adversidades, mas que acaba bastante lembrado pela comunidade dos cabeças de gasolina.

Nascido em Sheffield (Inglaterra) em 31 de julho de 1978, iniciou a sua carreira no kart aos nove anos. Após ter destaque nas categorias de base na Terra da Rainha e contar com apoio na formação do ex-piloto Jonathan Palmer, o piloto britânico passou a alçar voos internacionais, chegando a Fórmula 3000 em 1999.

O sabor da vitória na Fórmula 3000 (Motorsport.com)

Após uma temporada pela Astromega, Wilson se transferiu para a Nordic Racing. Com uma escuderia com forte aporte financeiro a partir de 2001, quando teve o patrocínio da Coca-Cola, o britânico mostrou sua força, vencendo três corridas (Interlagos, Spielberg e Hungaroring) e demonstrando bastante regularidade. Com 71 pontos, Justin foi campeão com quase o dobro de tentos em relação a Mark Webber e Tomas Enge, que empataram na segunda colocação.

Apesar do título na divisão de acesso, não havia espaço maior na categoria máxima do automobilismo. Wilson chegou a fazer testes por Benetton e Jordan, mas devido à altura do piloto britânico, mais precisamente 1,93, não houve oportunidades. O inglês quase chegou a disputar duas provas pela Minardi em 2002, mas não conseguiu porque ele não conseguia entrar no carro da escuderia italiana!

Após fazer a temporada de 2002 da World Series by Renault e terminar em quarto, o britânico ganhou uma nova oportunidade para correr na Minardi em 2003. Desta vez, Wilson coube no carro e finalmente pôde estrear na Fórmula 1.

Começo difícil na Minardi (Grande Prêmio)

O britânico teve muitas dificuldades no começo da temporada. Na Malásia, o HANS se soltou no decorrer da prova e piloto fez mais de 30 voltas com dores na região do pescoço e dos ombros, forçando o seu abandono, devido às dores. Wilson ficou oito minutos dentro do carro e foi hospitalizado para tomar medicamentos.

Apesar dos problemas, o inglês fazia o que podia com o pior carro do grid, embora poucas chances de pontuar, mas uma oportunidade surgiu na reta final da temporada. A Jaguar demitiu o brasileiro Antônio Pizzonia após o desempenho fraco e os problemas internos com o companheiro Mark Webber. Para o seu lugar, Wilson foi chamado para disputar as cinco últimas etapas.

Uma rara oportunidade na Jaguar (Motorsport.com)

Justin fez o que pôde nas corridas finais de 2003, até conseguiu beliscar um pontinho no GP dos Estados Unidos, em Indianápoils. No entanto, como a Jaguar preferiu ceder a segunda vaga da equipe para 2004 a quem pagasse mais (no caso, foi Christian Klien, piloto apadrinhado da Red Bull), o britânico ficou a pé, já que as demais vagas, ou estavam preenchidas ou exigiam muito dinheiro.

Sem espaço na Fórmula 1, Wilson focou sua carreira nos Estados Unidos. Em 2004, a CART passava por uma restruturação, com a mudança do nome da categoria para Champ Car. As provas eram mais focadas em circuitos mistos do que nos ovais. O britânico encontrou lugar na equipe Conquest e disputou a temporada completa ainda se adaptando à realidade.

Período vitorioso na Champ Car (Motorsport.com)

Em 2005, Wilson foi à equipe RuSport, onde ficou duas temporadas e mostrou um excelente desempenho. No primeiro ano venceu duas provas (Toronto e Hermanos Rodriguez), terminando em terceiro no campeonato. Já em 2006, venceu a etapa de Edmonton e foi o vice-campeão.

Na temporada de 2007, o britânico correu pela RSports, tendo uma vitória, no ciclo holandês da categoria, em prova realizada no circuito de Assen. Apesar da regularidade, Wilson foi novamente vice-campeão, sendo superado em ambas as ocasiões por Sebastien Bourdais.

Em 2008, Justin foi contratado pela tradicional equipe Newmann-Haas, justamente para substituir Bourdais, com a incursão do francês na Fórmula 1. No entanto, exatamente naquele ano, a Champ Car se fundia com a IRL, voltando a se tornar uma única categoria da IndyCar.

A chance em uma equipe de ponta veio na hora errada (Continental Circus)

Com as mudanças, Wilson não conseguiu concorrer com os pilotos oriundos da IRL, que levaram vantagem ao longo da temporada. O inglês ainda venceu uma prova nas ruas de Detroit, mas não foi além do 11º da temporada. Justin fez o ano de 2009 pela Dale Coyne, onde venceu a etapa de Watkins Glen, terminando o certame em nono.

Depois, passou duas temporadas apagadas pela Dreyer & Reinbold, mas 2012 viria a ser um ano redentor para Wilson. No começo do ano, o britânico venceu as 24 horas de Daytona ao lado do brasileiro Oswaldo Negri Jr. e dos americanos AJ Allmendinger e John Pew.

Vitória em Daytona… (Continental Circus)

De volta à Indy, Wilson voltou a Dale Coyne e ganhou a etapa do Texas após uma grande disputa com Grahan Rahal. Aquela foi sua única vitória em circuito oval e a última de sua carreira. Já em 2013, teve sua melhor performance nas 500 milhas de Indianapoils, terminando em quinto, além de terminar o campeonato em sexto, sua classificação mais expressiva na IndyCar Series.

… e no Texas. 2012 foi positivo em termos de resultados (Continental Circus)

Após um 2014 pouco expressivo, Wilson perdeu o seu lugar na Dale Coyne, mas conseguiu um lugar na Andretti Autosports. No entanto, o inglês não faria a temporada completa. Além da Indy, o britânico também fez uma prova pela mesma Andretti na Fórmula E, terminando em décimo no ePrix de Moscou.

Nos Estados Unidos, Wilson vinha se esforçando e tentando cavar uma vaga para a temporada seguinte, com direito a um segundo lugar na etapa de Mid-Ohio, antepenúltima etapa da temporada de 2015.

Uma nova oportunidade da Andretti. Infelizmente, foi a última (Motorsport.com)

O britânico chegou a penúltima prova da temporada, o oval de Pocono, com expectativas de uma boa corrida. O inglês teve os seus percalços ao longo da prova, que foi recheada de ultrapassagens e acidentes.

Faltando 21 voltas para o final, o líder Sage Karam perdeu o controle do seu carro e bateu forte na curva 1. Vários estilhaços foram lançados no meio da pista. Um pedaço do carro do piloto americano voou e acertou em cheio a cabeça de Wilson, que perdeu o controle e bateu na mureta interna.

O britânico foi atendido e levado ao hospital de Allentown, na Pensilvânia e ficou em coma por um dia, até não resistir os ferimentos e falecer em 25 de agosto de 2015, aos 37 anos. Justin deixou a esposa Julia e as filhas Jane Louise e Jessica Lynne.

O seu legado esportivo ficou com o irmão Stefan, que participa esporadicamente da Indy (inclusive os dois chegaram a fazer uma prova juntos pela mesma equipe na etapa de Baltimore em 2013). O caçula também foi quem anunciou que Justin doou seus órgãos, o que salvou a vida de seis pessoas que aguardavam a cirurgia.

Outro legado importante houve dentro das pistas. A morte de Wilson, assim como a Jules Bianchi, foram fatores determinantes para novos estudos de proteção da cabeça nos monopostos. O Halo foi adotados em categorias da FIA, como a F1 e a Fórmula E, enquanto a Indy ainda testa recursos como o Aeroscreen.

Justin Wilson teve uma carreira cheia de desafios e percalços e não sobreviveu aos perigos da pista, mas deixou importantes lições e respeito por onde passou. Mesmo sem muitas vitórias, o britânico foi um gigante no mundo do esporte a motor.

Fontes: Continental Circus, Bandeira Verde, Grande Prêmio, Motorsport.com e Wikipédia

Eduardo Casola

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!

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