Ivan Capelli, o piloto que quase deu certo – Dia 03 de 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada.

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Na temporada de 1988, a McLaren Honda tratou os adversários da mesma maneira que Thanos tratou Hulk em Vingadores 3 (too soon?). O MP4/4 era muito superior a qualquer outro carro do grid, e os caras da boleia ajudavam também. Tanto é que, das 16 corridas do ano a equipe venceu 15 (apenas a ajuda celestial de São Enzo foi capaz de fazer a Ferrari conseguir uma dobradinha no primeiro GP da Itália após a morte do Comendador). Se olharmos as voltas na liderança, percebemos mais facilmente o domínio da equipe de Woking: dos 1031 giros dados naquele ano, 1003 foram da McLaren (553 com Senna e 450 com Prost). Foram mais de 97% do tempo na frente. Berger, com a Ferrari, conseguiu pontear 27 voltas. Temos então 1030.

Na volta 16 do GP do Japão de 1988, o líder estava pilotando uma March com motor aspirado (a primeira vez que isso aconteceu desde o domínio dos turbos em 1983). Seu nome: Ivan Capelli.

Não, não é o Ben Affleck. Fonte: Pinterest.

Ivan Franco Capelli nasceu em 24 de maio de 1963 em Milão, e começou tarde a carreira no automobilismo: seu primeiro campeonato de kart foi disputado aos 15 anos. Com bons resultados, tomou o caminho natural para os monopostos e em 1983 correu pela Fórmula 3 italiana, onde foi campeão com nove vitórias. No ano seguinte, nova categoria (F3 Europeia), novo título, pilotando pela Coloni. Em 85 chegou às portas da F1, participando do campeonato da Fórmula 3000 Europeia pela Genoa Racing March-Cosworth. Uma vitória na Áustria e um terceiro lugar em Donington lhe deram a sétima posição no campeonato, e seu desempenho rendeu convites para participar de provas esporádicas na categoria principal, pela Tyrrell: correu o GP da Europa em Brands Hatch e conseguiu um incrível quarto lugar no GP da Austrália de 1985, porém como já estávamos no final do ano não sobrou nenhuma vaga para o italiano. “Tutto bene”, ele deve ter pensado. Afinal ele tinha deixado uma tarefa para trás.

Em 1986 Capelli foi campeão da F3000, à frente de seus compatriotas Pierluigi Martini e Emanuelle Pirro.

Enquanto isso, o chefão da Genoa, Cesare Garibaldi, que considerava Capelli como um filho, conseguiu colocar em prática seus planos de ressuscitar a equipe March de F1, graças ao patrocínio da corretora de imóveis japonesa Leyton House. Estreando em 1987 com um carro mezzo F1 mezzo F3000 e um único assento, coube a Ivan Capelli começar a nova fase da equipe. Como a grana era curta, gambiarras eram a regra: na Bélgica, sem um motor decente para utilizar, eles adaptaram um 3,3l de um carro esportivo e foram para a pista. Ainda assim o ponto obtido pelo italiano com uma sexta colocação em Mônaco foi o suficiente para que a equipe visse um futuro melhor à frente, inclusive contratando um jovem projetista que talvez tivesse talento, chamado Adrian Newey.

Com um bom carro, um motor Judd potente e agora o apoio de um companheiro de equipe, o brasileiro Mauricio Gugelmin, Capelli brilhou em 1988. Além da volta liderada no Japão ele conseguiu seu primeiro pódio na categoria, com um segundo lugar no circuito do Estoril. Na Bélgica terminou em quinto, porém com a desclassificação da dupla da Benetton foi posteriormente alçado à terceira colocação e, no final do ano, seus 17 pontos garantiram a sétima colocação no campeonato de pilotos e ajudaram a March a se colocar em quinto lugar entre os construtores, com 22 pontos no total.

Pena que, daí em diante, foi só ladeira abaixo. A March não tinha mais dinheiro para pagar as contas, e a Leyton House assumiu o controle da equipe. Gugelmin conseguiu brilhar com uma terceira colocação em Jacarepaguá, mas isso foi ainda com o carro do ano anterior. Capelli teve nada menos que 14 abandonos em 16 corridas, e terminou as outras duas bem distante da zona de pontuação. Em 1990 o carro ainda era ruim, porém no dia da final da Copa da Itália Capelli quase conseguiu fazer a Bota esquecer o jogo entre Argentina e Alemanha: liderou a corrida em Paul Ricard até quase o final, e só não venceu porque o motor perdeu potência a três voltas do fim. Ainda assim garantiu seu último pódio, novamente em segundo atrás de Alain Prost.

No começo de 91 a equipe continuava naquele reme-reme: Ivan só conseguiu ver a quadriculada na décima prova, com um sexto lugar na Hungria e seu ponto solitário no ano. Se o carro não ajudava, a performance do piloto enquanto estava na pista chamou a atenção dos conterrâneos da Ferrari, que precisavam de alguém não muito caro para o ano seguinte. Capelli assinou com a Scuderia e, após a prisão de Akira Akagi, dono da Leyton House, ofereceu seu cockpit ao pagante Karl Wendlinger para que fizesse as duas últimas provas.

GP de San Marino de 1992 Imola, Itália.
World Copyright – LAT Photographic

As expectativas era altas para a temporada de 92, mas a Ferrari fez um trator vermelho e teve resultados pífios. Capelli também não ajudou – acostumado com o ambiente familiar da March/Leyton House, não se adaptava ao ambiente de alta pressão carcamana da nova equipe nem à cobrança dos tiffosi. Após apenas um quinto e um sexto lugares em mais de 10 provas, tanto piloto quanto escuderia resolveram separar-se amigavelmente.

Capelli tinha perdido o brilho nos olhos e a vontade de continuar competindo. Por insistência da equipe, começou a temporada seguinte na Jordan mas após dois abandonos nas duas primeiras provas resolveu pendurar definitivamente as chuteiras.

Foi como tirar um motorhome das costas. O cara bem humorado e amigo de todo mundo que tinha desaparecido nos últimos anos voltou. Capelli ainda correu alguns anos em provas de Turismo, com resultados razoáveis, e desde 1997 é o comentarista de Fórmula 1 da tv italiana RAI. Ivan Capelli é visto frequentemente no paddock, com um belo sorriso no rosto e um monte de amigos.

Fonte: F1i.com

lll FORA DAS PISTAS

Começando este segundo giro pela história do esporte a motor, antes de mais nada eu gostaria de agradecer aos leitores, que são o objetivo final dessa empreitada ambiciosa. Eu sei que vocês estão aí, como Alfred Vail estava em Baltimore aguardando quando Samuel Morse transmitiu a primeira mensagem via telégrafo de Washington, em 24 de maio de 1844 (gostaram do gancho?).

E continuaremos celebrando os aniversariantes do dia: a Rainha Victoria (1819), que foi tão importante que deu nome a uma época, o Casseta Marcelo Madureira (1958), John C. Reilly (1965), o Happy Jack de Gangues de Nova York, o craque francês Éric Cantona (1966) e o piloto Popó Bueno(1978).

E também quem faz anos hoje é o grande gênio da música, prêmio Nobel de Literatura e um dos Wilburys, Mr. Robert Allen Zimmerman, também conhecido como Bob Dylan. É virtualmente impossível escolher somente uma música dele para fechar o texto, então vou com a que me vem à cabeça primeiro: fiquem com a disruptiva Subterranean Homesick Blues:

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.

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