Dia 84 dos 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo – 13 de Agosto e o ataque do Leão. 🦁🇬🇧

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O campeonato de 1989 foi cheio de expectativas. Por um lado, mudanças como a proibição do turbo, a dança das cadeiras com a chegada de Boutsen na Williams para substituir Mansell que foi fazer dupla com Berger na Ferrari e o divórcio entre a Honda e a Lotus, que teve que correr de motor Judd; por outro, um reinado consolidado, com a McLaren apresentando seu MP4/5 V10 Honda e mantendo a dupla Prost/Senna, que conseguiu 15 das 16 poles no ano (13 com o brasileiro).

E como aqui no BP nós gostamos das efemérides e dos underdogs (ou, no caso, underlions), vamos falar justamente da corrida que não teve uma Macca na posição de honra no momento da largada.

Linda a Ferrari deste ano, não? Fonte:www.livef1.it

O Grande Prêmio da Hungria de 1989 foi a décima corrida da temporada, e aconteceu no dia 13 de agosto daquele ano. O campeonato, naquela altura, tinha a McLaren em primeiro disparada com 89 pontos, seguida de longe pela Williams com 38 e com a Ferrari segurando um terceiro lugar com 25 pontos apenas. Prost tinha 53, Senna 36 e Mansell e Patrese estavam empatados com 25 cada – ou seja, o inglês estava carregando a Scuderia nas costas até aquele momento. Mas foi justamente a Williams de Patrese que conseguiu quebrar a hegemonia de Woking, batendo Senna por três décimos.

A segunda fila era ainda mais surpreendente: Alessandro “Alex” Caffi, com a italiana Dallara calçada com pneus Pirelli bem adaptados ao clima húngaro daquele final de semana conseguiu um impressionante terceiro lugar, e Boutsen colocou a segunda Williams em quarto. Prost só largaria na terceira fila, ao lado da Ferrari de Berger.

Mansell simplesmente derreteu na classificação, conseguindo um 12º lugar, dois segundos atrás do pole. Claro que reclamou do tráfego.

A largada foi limpa, com os três primeiros mantendo as posições e Boutsen perdendo duas, para Prost e para Berger que conseguiu um ótimo quarto lugar, torcendo para seus primeiros pontos no ano. Mansell também escalou rápido o grid, e na primeira curva já era oitavo. Berger e Prost não tiveram problemas para passar a Dallara, e então começou o trenzinho do Caffi. Quando Alessandro Nannini levou a Benneton para os pits, Mansell começou a gostar da corrida e deixou Boutsen e Caffi para trás, tornando-se o quinto colocado. Mas ele estava 17 segundos atrás dos líderes.

Como diz a velha piada, quando o sol nasce não importa se você é leão ou cervo, é melhor começar a correr. Nigel foi tirando o intervalo volta após volta, e quando o companheiro parou para troca de pneus ele assumiu o quarto lugar. E não contente, logo ultrapassou Prost e se candidatou a tomar champagne no pódio.

Patrese estava tendo a corrida dos sonhos, de cara para o vento, mas um furo no radiador o deixou lento e tirou-lhe da prova. Senna e Mansell, chegaram e passaram sem problemas, e agora a corrida estava entre os dois. O inglês pressionava a McLaren de todas as formas, mostrando que estava mais rápido e melhor adaptado ao circuito, mas o brasileiro não deixava espaço e tinha a potência do motor Honda para lhe ajudar (isso é sério. A Honda já fez motores bons). O ideal era Mansell cuidar do carro e esperar Senna cometer algum erro. Mas Mansell nunca foi conhecido por ser cuidadoso, nem Senna por cometer erros. A dupla estava em uma corrida à parte, separada por décimos de segundo, não sendo ameaçada por ninguém e já ziguezagueando por entre os retardatários.

Fungando no cangote. Fonte: f1greatestraces.blogspot.com

Um deles era Stefan Johansson, que estava quietinho fazendo o que podia com sua Onyx. A McLaren e a Ferrari contornaram a curva três e encontraram o sueco que, quando viu os dois monstros no retrovisor ligou o pisca para a esquerda e torceu para não fazerem muita turbulência ao passar. Porém aconteceu algo raro: Senna hesitou.

O brasileiro perdeu o tempo de um piscar de olhos antes de tirar o carro e o Leão, babando e sentindo o cheiro de sangue, aproveitou para dar o bote. De repente a Ferrari apareceu láááááá na direita, totalmente sem freios e com um impulso gigantesco, e Mansell estava na liderança. Uma manobra arrojada, precisa e quase kamikaze, mas que deu a vitória para o inglês (com quase 26 segundos de vantagem para Senna) e deixou uma imagem linda para ser vista e revista por todos os cabeças de gasolina até o fim dos tempos.

Essa foi considerada uma das corridas mais belas de Mansell. Na semana do seu aniversário (leia sobre Our Nige no belo post do chefe), saindo de 12º para a vitória em uma pista como a Hungria o inglês que não tinha medo provou que era merecido o apelido dado pelos tiffosi: Il Leone.

| FORA DAS PISTAS

Às portas de um novo século, em 13 de agosto de 1899 nasceu em Leytonstone, na Inglaterra, aquele que iria se tornar um dos maiores diretores de todos os tempos e ganharia a alcunha de “Mestre do Suspense”, Sir Alfred Joseph Hitchcock. Quem nunca se aterrorizou com o horror psicológico de Os Pássaros, Psicose, Um Corpo que Cai ou Janela Indiscreta não faz a menor ideia do que é cinema.

PS: este 13/08/2017 marca a comemoração do dia dos pais no Brasil. Então, além de parabenizar todos os que continuam essa jornada evangelizando os pequenos cabeças de gasolina, quero deixar uma homenagem especial ao meu pai que, mesmo não sendo fã de automobilismo, sempre foi o responsável por inflamar e manter em mim esta chama acesa. Foi por causa dele que assisti à minha primeira corrida na tv, e foi ele que um dia me disse que havia comprado dois ingressos para Interlagos em 1995 e que iríamos assistir ao GP in loco juntos, em comemoração ao meu aniversário.

Obrigado, pai.

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Carlos Valesi

Médico, marido, pai, atleticano, roqueiro, podcaster, jogador de poker e fã de F1. Nem sempre nessa ordem.

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