10 de Agosto de 1986, A F1 Pisa na Hungria pela Primeira Vez – Dia 81 dos 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo

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Com a chegada da década de 80, o desejo da Fórmula 1 de ter uma corrida do outro lado da cortina de ferro crescia cada vez mais. Algumas negociações sobre um possível GP em Moscou começaram, mas logo as atenções do esporte se voltariam para a Hungria. Após alguns anos acertando os últimos detalhes, a categoria finalmente rompeu mais essa barreira no dia 10 de Agosto de 1986. 

Piquet Vs. Senna, duelo que marcou a estréia da Hungria na Fórmula 1. Fonte: @Tumblr

O plano inicial previa um traçado similar ao de Mônaco pelas ruas do maior parque de Budapeste, todavia, os olhares dos projetistas se voltaram para um vale à 19 quilômetros da capital húngara. As construções começaram no dia 1º de Outubro de 1985 e foram concluídas apenas 8 meses depois, a mais rápida até então. Estreito e sinuante, Hungaroring logo foi apelidado de “Mônaco sem as barreiras”. Além disso, as mesmas características, aliadas ao terreno irregular tornavam ultrapassagens difíceis, enaltecendo o braço de pilotos nas corridas geralmente quentes devido ao severo verão do país. Tão logo o palco terminou de ser montado, grandes momentos e batalhas emocionantes passaram a rechear o folclore do circuito. 

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Em sua primeira aparição no calendário, em 1986, um duelo épico entre Nelson Piquet e Ayrton Senna pela vitória encheu os olhos dos mais de 200.000 cabeças de gasolina presentes no circuito. Melhor para o piloto da Williams, que liderou a dobradinha brasileira cruzando a linha de chegada e entrou para a história da categoria com uma das ultrapassagens mais lindas já vistas ao superar seu compatriota por fora na curva 1 enquanto batalhava para manter seu bólido seguindo na direção certa. Três anos depois, Patrese surpreendeu no sábado ao colocar sua Williams na ponta e quebrar uma sequência de 17 poles da McLaren, mas após uma bela batalha com Ayrton Senna, Nigel Mansell foi o primeiro a ver a bandeirada no domingo, mesmo tendo largado em 12º, conquistando sua segunda vitória pela Ferrari. 

Hungaroring, Budapest, Hungria, Damon Hill (Williams FW15C Renault) Fonte: F1 Fanatic

Em 1993, a Hungria foi palco da primeira vitória da carreira de Damon Hill, se aproveitando dos problemas de Prost, Senna e Schumacher para subir no topo do pódio pela primeira vez. 5 anos depois, no mesmo dia 10 de Agosto, o britânico parecia muito próximo de sua segunda vitória em Budapeste, dessa vez arrastando sua sofrível Arrows-Yamaha na ponta, mas Hill seria superado pela Williams de Jacques Villenueve na última volta da prova. Esse foi o último pódio da equipe e o último da Yamaha como fornecedora de motores.

Um salto para 2006 nos leva para a 20ª etapa em solo húngaro e a primeira sob chuva. Alonso e Schumacher, favoritos na briga pelo título, receberam punições e largaram na parte de trás do grid. Ambos facilmente fatiavam o grid enquanto as McLarens aproveitavam uma das chances mais claras de vitória até o momento na temporada. Schumacher colheu Fisichella e Raikkonen não foi capaz de evitar a colisão com o retardatário Liuzzi, causando a entrada do carro de segurança. Em meio ao caos, Jenson Button seguia firme e consistente. Não demorou até que Alonso também fosse forçado a abandonar, concluindo a tempestade perfeita que proporcionou a primeira vitória da carreira do inglês, pilotando sua Honda.

Após o susto com o incidente de Felipe Massa em 2009, 2014 e 2015 também foram etapas clássicas. Daniel Ricciardo dominou a estratégia e o clima instável de Budapeste para superar as duas flechas de prata pela segunda vez na temporada. O australiano brigou até as últimas voltas com Alonso e Hamilton para cruzar a linha de chegada em primeiro com sua Red Bull. Lewis, que havia largado dos boxes, fechou o pódio em terceiro. No ano seguinte, a F1 voltou para as pistas pela primeira vez desde o anúncio da morte de Jules Bianchi. A corrida emocionante logo tomou contornos caóticos, as Ferraris saltaram na ponta e viram as duas Mercedes se encontrarem logo atrás. Em meio ao caos, diversas asas quebradas, algumas punições e um duplo abandono da Force India, Vettel venceu sua segunda prova pela Ferrari e dedicou seu triunfo ao velho amigo, Jules Bianchi. O mesmo gesto foi repetido por Daniel Ricciardo ao cruzar a linha de chegada em 2º.

Daniel Ricciardo Fonte: F1 Fanatic (Photo by Mark Thompson/Getty Images)

Já com 31 anos de história, a Hungria entrou para o hall de corridas clássicas no calendário da Fórmula 1, inclusive sendo o terceiro circuito com mais corridas consecutivas. Outrora criticada, a pista foi palco de alguns dos melhores GPs dos últimos anos, sempre exigindo o melhor de pilotos e equipes, além de eliminar completamente a previsibilidade de suas etapas. Algumas provas e muita gasolina depois, podemos afirmar sem sombra de dúvidas que a ousadia de Bernie Ecclestone foi muito bem acertada.

Senna “Lotus”, Prost “McLaren”, Mansell e Piquet “Williams”, temporada de 1986. Fonte: Podcast F1 Brasil
Coulthard “McLaren”, Schumacher “Ferrari”, Hakkinen “McLaren” e Barrichello “Ferrari” GP da Hungria de 2000
Hamilton “McLaren”, Alonso “Ferrari”, Webber “Red Bull Racing”, Ecclestone, Button “McLaren” e e Vettel “Red Bull Racing”, GP da Hungria de 2010

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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