Dia 74 de 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo – 03 de Agosto de 1899, O Nascimento do Primeiro Rei de Mônaco

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Muito antes do glamour e do prestígio que o esporte a motor recebe atualmente, o automobilismo mundial estava recheado de verdadeiros heróis que arriscavam suas vidas em cada curva em prol de um esporte até então desconhecido, brigando por premiações mínimas e qualquer tipo de reconhecimento. Vidas inteiras dedicadas à paixão de pilotar um carro em alta velocidade, servindo posteriormente de alicerce para esse espetáculo que nos comove hoje em dia. Em 3 de Agosto de 1899, mais um dos lendários pioneiros da velocidade nascia. Seu nome, Louis Chiron.

Chiron nasceu em uma quinta-feira, em Mônaco. Destinado a se tornar um dos maiores esportistas do principado, se apaixonou por carros ainda jovem, mas se juntou ao exército francês pouco antes do seu aniversário de 18 anos, atuando na artilharia durante a 1ª guerra mundial. Logo após o conflito, o monegasco se tornou motorista particular do comandante francês, Ferdinand Foch. Após sair do exército, Louis comprou sua primeira Bugatti aos 26 anos, entrando oficialmente para o mundo que tanto admirava. Começou com aparições em corridas organizadas pelo renomado Moto Club de Nice e não demorou até começar a deixar sua marca na categoria.

Fonte: Car Magazine

Já no ano seguinte Chiron venceu quatro etapas, sendo duas delas pilotando pela Bugatti e duas pela Alfa Romeo. Segundo Rudolph Caracciola, um de seus principais rivais, Louis tinha o hábito de andar ao redor do seu carro antes da corrida, conversando com ele como se fosse um cavalo pouco antes de começar a pilotá-lo. Manteve seu sucesso nos anos seguintes, vencendo diversas corridas e escrevendo seu nome no hall de grandes pilotos da época. Ainda em 1928 foi contratado pela Hoffmann, dividindo seu tempo entre ela e a Bugatti. Entretanto, a parceira durou pouco, uma vez que o envolvimento com a mulher do dono da equipe gerou a demissão do piloto no mesmo ano. Em 1929 desbravou as terras americanas, terminando as 500 milhas de Indianápolis em 7º. Louis ainda venceria o GP de Mônaco dois anos depois, sendo o único piloto da casa a vencer a prova até hoje.

Fonte: Speed Doctor

Em 1933, tanto Chiron quanto Caracciola, embora grandes nomes na época, ficaram seu assento. A situação proporcionou uma parceira entre dois, nascia então a Scuderia CC. A dupla comprou duas Alfas e contratou dois mecânicos de Milão. A equipe quase foi descontinuava após um grave acidente de Rudolph devido à uma falha de freios, mas Louis seguiu correndo pela CC e conquistou grandes resultados na temporada. Sua vitória mais histórica veio no ano seguinte. Batalhando contra as potências Auto Unions e Mercedes, o monegasco segurou ferrenhamente a ponta, resistindo aos ataques de Faglioli, Caracciola e Stuck e cruzando a linha de chegada em 1º heroicamente com sua Alfa Romeo. Em 1936, foi contratado pela Mercedes por recomendação insistente de Caracciola. Chiron correu pela equipe alemã durante três anos, entretanto, os resultados inconsistentes durante o período foram suficientes para gerar sua demissão no final de 1938. Mesmo recebendo convites para testes com a Auto Union no ano seguinte, o piloto decidiu se aposentar do esporte e voltar para Mônaco aos 39 anos de idade.

Fonte: Car Magazine

Esse, no entanto, não era o fim da história de Louis Chiron. O estouro da Segunda Guerra Mundial o colocou de volta nos campos de batalha no mesmo ano. Embora em apuros diversas vezes, Chiron sobreviveu ao conflito e se reencontrou com diversos outros pilotos que buscavam ressuscitar suas carreiras e uma válvula de escape para os terríveis acontecimentos dos anos anteriores. Um de seus maiores amigos no período era o italiano Achille Varzi, que havia interrompido sua carreira por causa da guerra e de sérios problemas com drogas. Os dois retornaram às pistas em 1948, na Suíça. Todavia, a incrível história de redenção da dupla sofreria um duro golpe ainda nos treinos livres. Com a pista molhada, o italiano perdeu o carro em uma das curvas e foi em direção ao muro de madeira. Desprotegido, Varzi até aparentou ter sobrevivido à pior parte do incidente, mas não resistiu aos danos de ter sido arremessado para fora de seu bólido. Chiron estacionou imediatamente, mas nada podia ser feito.

O monesgasco continuou a pilotar até seus 60 anos. Conhecido por sua elegância e refino no volante, era abertamente parcial aos circuitos de rua, nos quais conseguia manter seus adversários em seu campo de visão, além de ser ocasionalmente comparado com Alain Prost. Graças à sua aposentadoria tão tardia, Louis Chiron é até hoje o piloto mais velho a completar uma corrida de Fórmula 1, cruzando a linha de chegada do GP de Mônaco de 1956 em 6º lugar com sua Lancia, no auge dos seus 56 anos. Uma vida inteira dedicada ao automobilismo e certamente um dos pilares para a construção do espetáculo dos dias de hoje.

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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