Dia 70 dos 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo – 30 de Julho e a primeira vitória de Rubens Barrichello.

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Festa dentro e fora da pista. Fonte: Flatout.com.br

A grande sacada deste projeto dos 365 dias é deixar um enfoque jornalístico e informativo de um ano de emoções no automobilismo. O chefe espera que sejamos imparciais, claros, concisos, profissionais em nossos textos.

Bom, esta pode ser minha última participação na série. Porque, do parágrafo acima, a única palavra que brilha para mim agora é emoções.

No ano 2000 a Fórmula 1 estava sofrendo uma inflexão. A Ferrari, depois de um longo jejum, havia conseguido o título de construtores em 99, porém não vencia um campeonato de pilotos há 21 anos, e agora parecia ter um ótimo carro – uma versão aperfeiçoada da F300 com motor V10 de três litros – e um Schumacher em boa forma. A McLaren tinha dois pilotos que poderiam brigar pelo título. E pela primeira vez um brasileiro pilotava pela Rossa.

Rubens Barrichello já estava em sua oitava temporada na Fórmula 1; tinha conseguido resultados interessantes na Jordan e na Stewart, incluindo três pódios e um sétimo lugar no campeonato na temporada anterior e apareceu o suficiente para receber um convite para ocupar o lugar de Irvine ao lado do bicampeão alemão. Receptáculo das esperanças nacionais após a morte de Senna e agora em uma equipe de ponta, era o foco da atenção e das expectativas de todo o Brasil.

Fonte: f1trindade.wordpress.com

Ao chegar à Alemanha para a 11ª etapa do campeonato, estava em 4º lugar na classificação geral, 20 pontos atrás de Schumacher. Nas dez corridas anteriores acumulou seis pódios, três na segunda e três na terceira colocação, além de duas quartas colocações e dois abandonos. Parecia que faltava pouco, mas o final de semana começou com cara de que ainda não havia chegado a hora.

Sem muito ritmo durante os treinos livres, tomando mais de meio segundo do companheiro de equipe, Rubens viu suas chances diminuírem drasticamente ao ter um problema elétrico no carro durante a classificação e conseguir apenas o 18º tempo. Saindo lá do fim do grid (grande podcast, conhecem?), tinha que tentar uma estratégia diferente para tentar chegar ao menos na sexta posição e marcar um pontinho. Em época de reabastecimento, combinou com a equipe para largar com o tanque vazio e fazer duas paradas, indo na contramão da maioria dos pilotos que só abasteceriam uma vez.

Um carro leve e equilibrado se provou uma boa estratégia desde a bandeirada inicial. Ao final do primeiro giro Barrichello já tinha ultrapassado 8 concorrentes; na 6ª volta, já estava em quinto e na 15ª era o terceiro, bastante atrás das duas McLaren (Schumacher tinha se enroscado com Fisichella na primeira curva, abandonando). Na volta 17 das 45 programadas foi o primeiro piloto a entrar nos boxes para o reabastecimento, voltando em sexto mas logo recuperando a terceira posição. Daí começaram as felizes intercorrências.

Mais doido que o Robocop na enchente Fonte: http://headlinesurfer.com

Um francês maluco que havia sido demitido da fábrica da Mercedes em Le Mans invadiu a pista para protestar na volta 25. Ele não conseguiu seu emprego de volta, mas deu visibilidade aos seus ex-patrões ao obrigar o Safety Car (um Mercedes-Benz CL55 AMG) a neutralizar a corrida enquanto o pessoal da camisa de força acompanhava o cidadão para a beira da calçada. “Bom para o Rubinho”, deve ter dito o narrador, e foi mesmo já que o brasileiro encostou nos carros prateados. A corrida recomeçou na volta 29, mas imediatamente um acidente entre Alesi e Pedro Paulo Diniz deixou fibra de carbono para todo lado e o mercedão voltou para puxar a fila. O SC finalmente terminou seu trabalho na volta 31, e deixou Hakkinen na liderança, contudo as surpresas não tinham terminado.

Uma chuva leve começou duas voltas depois, e os pilotos correram para o pits para trocar os pneus. Um a um todos mudaram os calçados, mas Barrichello disse pelo rádio que queria tentar continuar com os pneus de pista seca. O Hockenheimring ainda não tinha sofrido sua última modificação e cortava a Floresta Negra com suas longas retas. Rubens percebeu que lá não estava chovendo e que ele poderia acelerar bastante, ganhando um belo tempo. O problema era a parte do Estádio, que estava bastante molhada. Mas lá era a parte de baixa do circuito, e ninguém conseguiria correr tanto assim. Era arriscado, pois qualquer escorregada colocaria tudo a perder, mas as contas batiam e o brasileiro queria sua primeira vitória. Foram 12 voltas tensas, com Hakkkinen tirando o tempo de Rubens, mas ao final das 45 voltas a ousadia e a perícia de Barrichello foram recompensadas. Pela primeira vez na Fórmula 1 ele via a quadriculada antes de todo mundo.

E teve até sambadinha. Fonte: flatout.com.br

Eu estava em casa, tinha me casado um ano antes, e lembro de gritar para minha esposa vir assistir a última volta comigo. “Vai tocar o Tema da Vitória de novo, finalmente!”, eu dizia. Mais de seis anos após a vitória derradeira de Ayrton Senna na Austrália, a bandeira e o hino brasileiros iriam ter destaque no pódio.

Após 124 corridas (foi então o maior número de provas até a primeira vitória; hoje Rubinho é o segundo neste quesito, tendo sido “ultrapassado” por Mark Webber) o brasileiro tomava champagne acima de todo mundo. Rubens Barrichello, então com 28 anos, dedicou a vitória aos pais e a Senna, e chorou copiosamente. Eu, com 25, assistindo à primeira vitória brasileira na Fórmula 1 da minha vida adulta, chorei também. Aquele 30 de julho de 2000 marcou a segunda das três vezes que este esporte que tanto amamos me fez ir às lágrimas.

Após tirar este peso das costas, Barrichello ainda venceu outras 10 vezes, conquistou dois vice campeonatos e me bloqueou no Twitter.

Desbloqueia o @cevalesi aí, @rubarrichello! Fonte: auto123.com

FORA DAS PISTAS

Hoje completa 54 anos Lisa Valerie Kudrow, nossa eterna Phoebe Buffay, aka Regina Phalange, e também a ótima (porque péssima) Ursula. Um dos personagens mais marcantes da história da televisão, fica aqui nossa homenagem a quem a criou.

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Carlos Valesi

Médico, marido, pai, atleticano, roqueiro, podcaster, jogador de poker e fã de F1. Nem sempre nessa ordem.

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