Dia 12 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo – 2º de Junho de 1991, Quem Riu por Último Riu Melhor no GP do Canadá

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Chegamos a 1991, e bem como o final de 90, Ayrton Senna reinava solitário no topo do grid. Das quatro etapas iniciais, o brasileiro havia conquistado todas as poles e vitórias, liderando o campeonato com muita folga. Enquanto isso, Gerhard Berger tentava acompanhar o ritmo alucinante do seu companheiro de equipe, as Williams sofriam com a confiabilidade de seu monoposto, conseguindo cruzar a linha de chegada apenas uma vez com cada carro até então, e a Ferrari continuava extremamente inconsistente, mesmo com a dupla de pilotos formada pelos experientes Alain Prost e Jean Alesi. Mesmo com o palco montado para mais um domínio absoluto da McLaren, o GP do Canadá de 1991 guardava surpresas imperdíveis.

Pouco antes da chegada do circo da F1 em Montreal, algumas mudanças foram feitas. Piero Ferrari substituiu Cesare Fiorio como chefe de equipe na Ferrari, Gordon Kimball, pai de Charlie Kimball, substituiu John Barnard como diretor técnico da Benetton e Julian Bailey foi substituído por Johnny Herbert no volante de uma das Lotus. Mais surpresas nos treinos livres, que foram dominados amplamente pelas Williams de Ricardo Patrese e Nigel Mansell, mesmo com um forte acidente do italiano, escapando sem ferimentos. A boa performance do time de Grove se manteve na classificação e pela primeira vez no ano a pole não foi de Ayrton Senna, que se contentou com a 3ª posição no grid, seguido por Prost, Moreno, Berger, Alesi e Piquet. Na primeira fila, Patrese liderava a dobradinha da Williams que parecia finalmente ter encontrado o equilíbrio ideal do FW14.

Fonte: F1 Fanatic

Apesar da segunda posição no grid, Mansell assumiu a liderança da prova na curva 1, pulando seu companheiro de equipe com facilidade. Atrás da dobradinha, a ordem dos líderes se manteve praticamente a mesma até a 3ª volta, quando Gerhard Berger abandonou devido à problemas de câmbio, abrindo caminho para a briga intensa entre Piquet, Alesi e Modena pelo 6º lugar. Ainda na volta 10, Roberto Pupo Moreno também seria forçado a sair do GP com uma quebra de suspensão, desperdiçando uma promissora quinta colocação com a Benetton e promovendo as duas Jordans para o Top 10. Longe das brigas no pelotão intermediário, as Williams sumiam na liderança da prova enquanto Senna perdia contato com os ponteiros e começava a ser atacado pelas duas Ferraris e a Benetton de Nelson Piquet. Pressionando o brasileiro, Alain Prost acabou cometendo um pequeno erro e foi ultrapassado por Alesi e Piquet, sendo obrigado a remar tudo novamente, entretanto, a missão do francês seria facilitada na volta 25 com o abandono de Ayrton Senna causado por uma falha no alternador. A saída da segunda McLaren não só representou que essa briga entre três grandes pilotos valia agora um dos degraus no pódio, como também que teríamos um vencedor inédito em 1991. 

Fonte: Itsawheelthing.tumblr.com

O brasileiro rapidamente despachou as duas Ferraris e se estabeleceu no 3ª posição, no entanto, mesmo com a troca no comando da equipe, os italianos ainda enfrentavam problemas de confiabilidade com seu monoposto. Prost abandonaria duas voltas depois devido a problemas de câmbio e Alesi logo voltaria andando para os boxes também, vítima de um problema de motor na volta 34. A calmaria na ponta finalmente chegou ao fim quando Patrese sofreu um furo de pneu, perdendo uma vantagem de 32 segundos para o 3º colocado, Nelson Piquet. O italiano voltou para a pista em 6º, mas logo estava na briga pelo pódio novamente, empurrado pela ótima performance do FW14 em Montreal. 

Pela primeira vez no ano, Nigel Mansell abria a última volta da corrida evitando qualquer tipo de incidente. De quebra, o britânico carregava uma vantagem arrasadora de 52 segundos para o 2º colocado Nelson Piquet, se dando ao luxo de começar a acenar para a torcida ainda na curva 1 da volta 69. Toda essa comemoração logo se transformaria em desastre. Focado em cumprimentar os cabeças de gasolina que lotavam as arquibancadas do hairpin, Mansell deixou as rotações de seu motor Renault caírem muito, fazendo com que o carro estolasse a poucos metros de distância da sua primeira vitória no ano. Tudo que o inglês podia fazer era assistir Piquet rasgar pela reta oposta e roubar uma vitória que estava nas mãos da Williams desde o início do final de semana.

O abandono tragicômico não só promoveu o brasileiro para a 1ª posição, como também colocou Stefano Modena em um surpreendente 2º lugar, arrastando sua Tyrell para um improvável pódio, seguido por Ricardo Patrese. Contudo, a pessoa mais feliz no circuito era provavelmente Eddie Jordan, ao ver sua equipe pontuar pela primeira vez na categoria, graças ao 4º lugar de Andrea de Cesaris e o 5º lugar de Bertrand Gachot. Em uma era em que apenas os seis primeiros pontuavam, a Jordan ainda conseguiria manter uma performance impressionante o suficiente para terminar o campeonato de construtores em 5º.

Fonte: efemeridesdoefemello.files.wordpress.com

Sem esconder o sorriso debochado no pódio, Piquet parecia ainda não acreditar no que tinha acontecido com Mansell, sendo essa sua ultima vitória na categoria.

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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