Crônicas de Spielberg

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Após nove etapas, mais um candidato ao título resolveu cogitar entrar na briga. Assim como na Rússia, Valtteri Bottas dominou a prova de ponta a ponta, conquistando sua segunda vitória da carreira e ficando apenas 15 pontos atrás de seu companheiro de equipe, enquanto Hamilton enxerga Vettel cada vez mais longe, somando 20 pontos a menos em relação ao alemão. Evidente que esse resultado não mudou completamente a situação de momento no campeonato, mas certamente colocou uma pulga atrás da orelha de Toto Wolff.

A corrida do vice-líder do campeonato foi comprometida logo no sábado. Forçado a trocar a caixa de câmbio, Hamilton recebeu uma punição de 5 posições do grid, portanto, no melhor dos cenários, largaria em 5º. Já do outro lado da garagem, Bottas enxergava a oportunidade perfeita para garantir mais alguns pontos e possivelmente entrar na briga pelo título. No final das contas, o finlandês nem precisou da punição, Valtteri foi pole, com Vettel em segundo e Hamilton somente em terceiro, caindo para 8º. Quali tenebroso para as Williams, que sequer passaram do Q1, e animador para a Haas, que viu Romain Grosjean colocar seu carro em 7º.

Na largada, Bottas foi simplesmente perfeito, além de contar com um pouco de sorte no processo. O salto imediato impediu qualquer chance de ataque de Sebastian Vettel e permitiu que o finlandês se estabelecesse com segurança na ponta, seguido por Vettel e Ricciardo, que superou Kimi Raikkonen ainda nas primeiras voltas da prova. Na parte de trás, Daniil Kvyat prolongou sua maré de azar ao obliterar Verstappen e Alonso ainda na curva 1. O entrevero permitiu que as Williams saíssem da penúltima fila para os pontos, além de uma recuperação razoável de Jolyon Palmer. Hamilton também aproveitou para começar a fatiar o grid logo de cara. Após cerca de 5 voltas o inglês já superava Romain Grosjean na briga pela 5ª posição e começava a contemplar um possível pódio cada vez mais perto. Aos poucos, o GP da Áustria começou a tomar contornos dramáticos para alguns pilotos e equipes.

| Toro Rosso

Fonte: Red Bull

A equipe italiana já havia vivido uma semana conturbada antes da corrida. Em meio aos preparativos para o GP da Áustria, Carlos Sainz declarou que não pretendia permanecer na STR em 2018 e que seu futuro dentro do ciclo da Red Bull era questionável. Christian Horner logo rebateu a afirmação do espanhol mas o clima já não era dos melhores na garagem. Já na largada, Daniil Kvyat colheu Alonso e Max, comprometendo sua corrida de vez ao receber um drive-through pela colisão. Considerando que o russo somou menos pontos que Pascal Werhlein no ano, o resultado negativo não poderia ter vindo em pior hora. No outro cockpit, Carlos Sainz não conseguiu se encontrar em Spielberg durante o final de semana inteiro, abandonando de forma melancólica na volta 44, visivelmente frustrado. A avalanche de má sorte na Toro Rosso permitiu que a Haas encostasse na briga pela 6ª posição, reduzindo a diferença para apenas 4 pontos graças ao final de semana perfeito de Romain Grosjean.

| Kevin Magnussen

Fonte: Twitter

A Haas estava surpreendentemente equilibrada em Spielberg e os treinos livres foram um indicativo claro disso. Tanto Romain quanto Kevin terminaram as duas últimas sessões de treinos livres no Top 10, aumentando as expectativas por um bom resultado da equipe americana, entretanto, a Áustria proporcionaria resultados completamente opostos para os companheiros de equipe, e o destino da corrida dos dois começou a ser desenhado no sábado. Enquanto o francês levou sua Haas para o Q3, largando em uma sólida 7ª colocação, Magnussen sofreu uma falha de suspensão ainda no Q1 e foi forçado a largar em 15º, mesmo com uma performance claramente superior de seu monoposto. No domingo, Grosjean administrou uma corrida calma e consistente, cruzando a linha de chegada em 6º e alavancando a Haas no campeonato. Já Magnussen começou a prova muito bem e inclusive brigava por pontos com Lance Stroll já na volta 29, mas uma falha mecânica o obrigou abandonar sua promissora corrida de recuperação prematuramente.

| Fernando Alonso

Fonte: Formula 1

O espanhol finalmente vivia seu primeiro final de semana otimista em um bom tempo. Após marcar seus primeiros pontos em Baku, o bicampeão se aproveitou das atualizações em seu bólido para levar sua McLaren até a 12ª posição no sábado, com chances claras de somar mais alguns pontos no domingo. A proximidade da zona de pontuação e uma largada extremamente cuidadosa foram para o espaço após o espanhol ser coletado pela Toro Rosso desgovernada de Daniil Kvyat. Alonso foi obrigado a abandonar a prova, encerrando sua participação no GP da Áustria ainda na primeira volta, longe de lucrar com a sexta e o sábado promissores em Spielberg.

| Max Verstappen

Fonte: Uol

A última vítima desse acidente também vive um dos piores momentos de sua carreira. Max está do lado errado de um começo de ano extremamente antagônico para os pilotos da Red Bull. Na Áustria, Daniel Ricciardo segurou o ataque ensandecido de Hamilton nas últimas voltas da prova para conquistar seu quinto pódio consecutivo. Graças aos resultados consistentes, o australiano ocupa agora a 4ª posição no campeonato, com 107 pontos, superando inclusive Kimi Raikkonen e sua Ferrari. Do outro lado da garagem, Verstappen abandonou 5 das últimas 7 etapas, vítimas dos mais diversos problemas mecânicos. Devido à sequência de infortúnios, Max não teve a oportunidade de aproveitar uma 2ª posição no Canadá e uma 4ª colocação em Baku. Em Spielberg, o holandês não largou bem e acabou se tornando uma das casualidades na passagem do torpedo russo, saindo da Áustria com os mesmos 45 pontos e adiando sua reabilitação no campeonato.

Fonte: Red Bull

A vitória de Valtteri Bottas deixou o campeonato ainda mais aberto na ponta. Além disso, a briga intensa no pelotão intermediário ganhou mais alguns ingredientes com a ascensão de Williams e Haas, portanto, o GP da Inglaterra promete grandes emoções e batalhas intensas em todos os pontos do pelotão.

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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