Crônicas de Silverstone

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  Seja bem-vindo ao campeonato de 2017, Sobrenatural de Almeida. Quis o destino que a corrida das duas Ferraris fosse para o espaço quase simultaneamente no apagar das luzes. Dois furos em dianteiros esquerdos nas voltas finais da prova que mudaram completamente a história do campeonato. A vantagem de 22 pontos entre Vettel e Hamilton foi reduzida para apenas um, trazendo também Valtteri Bottas para a briga pouco antes das férias de verão da categoria.

  Os eventos incomuns começaram no sábado. Pneus intermediários no Q1 até os minutos finais da sessão. Ainda sim, apenas dois pilotos apostaram nos super macios, Ocon e Alonso. O francês passou com tranquilidade, seguindo o protocolo da Force India. Já Fernando deu um verdadeiro show em sua volta única com os slicks, abrindo a volta com milésimos no relógio. 1 minuto e 37 segundos depois, o bicampeão colocou sua McLaren na primeira posição do Q1. Uma pole totalmente simbólica, mas ainda sim um alento em meio ao caos recente em Woking. Bottas entrou na sessão de classificação já sabendo que perderia 5 posições no grid, portanto, tudo indicava que essa seria a vez de Bottas perder a chance de angariar bons pontos. Um sábado antagônico também na Red Bull, mas dessa vez com personagens invertidos. Daniel Ricciardo encarou problemas logo no começo do Q1 e foi forçado a largar em último. Já Max, o piloto mais zicado da temporada até então, colocou sua RB13 em 5º e ainda herdou a quarta posição de Bottas.

Fonte: F1 Fanatic

  Tudo limpo na largada para todas as equipes, menos para a Toro Rosso. Ainda no primeiro setor, Daniil Kvyat obliterou a lateral de Carlos Sainz, tirando seu companheiro de equipe da prova e comprometendo totalmente sua própria corrida. A nuvem negra que pairava a garagem da STR apenas ficou maior e o clima dentro da equipe piorou ainda mais. Um belo salto para Max Verstappen, que superou Vettel e conquistou a terceira posição, quase conseguindo brigar com Kimi Raikkonen. Já Lewis Hamilton começava a sumir na ponta e Nico Hulkenberg defendia sua já promissora 5ª posição. Poucas voltas depois o pelotão começou a se encaixar e as histórias da prova começaram a surgir em todos os pontos do grid, sendo algumas delas, extremamente vitoriosas.   

Daniel Ricciardo 

Fonte: PortalSportsZone

  O australiano já está virando presença constante na lista dos melhores pilotos da prova. Nem os problemas no qualifying, tampouco as punições foram capazes de parar o piloto da Red Bull no domingo, muito pelo contrário, apenas apimentaram ainda mais sua prova. Mesmo com uma saída de pista nas primeiras voltas, Ricciardo simplesmente fatiou o grid do início ao fim, sempre brigando e defendendo posições, arriscando ultrapassagens ousadas e sendo decisivo em suas manobras. Daniel ainda lucrou com alguns infortúnios de outros pilotos para terminar a prova em um inacreditável 5º lugar, ganhando 14 posições durante o GP. Muito além de uma performance incrível, o australiano provou que não conquistou 5 pódios consecutivos por acaso, além de conter todo o dano que os azares do dia anterior poderiam ter causado, terminando a prova logo atrás de seu companheiro de equipe. 

Valtteri Bottas

Fonte: F1 Fanatic

 Assim como Ricciardo, o finlandês estava tentando reduzir os danos provocados pela qualificação. Bottas largou em 9º, em uma corrida que seria decisiva para suas potenciais chances de brigar pelo título. O que parecia ser a última aparição de Valtteri na briga pelo campeonato tornou-se seu visto carimbado para a disputa. O piloto da Mercedes também escalou o pelotão com autoridade, conseguindo alcançar o primeiro degrau do pódio em uma corrida em que qualquer pontuação já seria lucro. Não satisfeito, Bottas ainda contou com os furos de pneu nas Ferraris para herdar a segunda posição e cortar 12 pontos no campeonato de pilotos. Uma performance discreta, consistente e extremamente veloz de Bottas, que provou seu braço e está oficialmente na briga pelo título. 

Nico Hulkenberg

Fonte: F1 Fanatic

O final de semana começou bem para a Renault na sexta, mas a performance renovada da equipe francesa ficou clara apenas no sábado. Hulk dominou as duas primeiras sessões do qualifying e colocou sua Renault na 6ª posição, herdando a 5ª com a punição de Valtteri Bottas. Já Palmer bateu na trave e quase garantiu mais uma participação no Q3, largando em 11º. Enquanto o inglês sequer conseguiu largar devido a problemas hidráulicos, o alemão teve uma prova extremamente consistente, sem ser ameaçado na 5ª colocação durante boa parte da prova, apenas perdendo a disputa para o rolo compressor chamado Daniel Ricciardo nas últimas voltas da corrida. Hulk somou mais 8 pontos e reabilitou a Renault no campeonato de construtores, uma vez que seus 26 pontos estão apenas 3 atrás da Haas e 7 atrás da Toro Rosso. 

Lewis Hamilton

Fonte: Sky Sports

  Deixando toda a polêmica causada pela F1 Live de lado, Hamilton simplesmente dominou o final de semana de Silverstone do começo ao fim. Intocável no qualifying, Lewis colocou 7 décimos no segundo colocado, Kimi Raikkonen. Na corrida, o inglês não deu margem para brigas na ponta, sumiu logo após a largada e controlou o GP sem ser questionado, vencendo seu quarto GP da Inglaterra seguido e o quinto na carreira. De quebra, o tricampeão ainda contou a queda de Sebastian Vettel para a sétima posição na última volta da prova para cortar praticamente toda a liderança do alemão no campeonato de pilotos. Sebastian e Lewis embarcam para Budapeste com apenas 1 ponto entre eles, acabando com qualquer margem para erros daqui para frente.

Com o GP da Inglaterra no passado, a Fórmula 1 parte agora para o travado circuito da Hungria, palco de algumas das melhores corridas dos últimos anos, com o campeonato de pilotos totalmente aberto, apenas aguardando o que os entreveiros da última corrida do 1º semestre podem oferecer nessa batalha. 

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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