Crônicas de Budapeste

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A expectativa gerada em torno do GP no único circuito que ainda não havia presenciado uma vitória das Mercedes no retorno dos V6 era digna da magnitude dessa estatística, além de fortemente alimentada pelo retrospecto caótico de corridas em Hungaroring. Auxiliada pelo sábado mais imprevisível do ano, a prova não teve o mesmo teor de loucura apresentado nos últimos dois anos, mas mesmo assim, deixou muita gente colada no lustre.

O traçado volúvel proporcionava um leve domínio das Red Bulls no setor intermediário, impulsionadas por um chassis espetacular, enquanto as flechas de prata nadavam de braçadas nos setores de alta e as Ferraris tentavam beliscar alguma coisa. Mesmo que a expectativa geral fosse uma briga pela ponta, a guerra estratégica pelo último degrau do pódio foi espetacular, culminando em dois duelos Ítalo-austríacos nas voltas finais da prova. Melhor para as duas Red Bulls, que aos poucos vão encostando nos italianos no campeonato de construtores e uma ultrapassagem parece cada vez mais iminente. Verstappen aproveitou para dar mais um show de manobras defensivas em seu duelo com Kimi Raikkonen enquanto Daniel Ricciardo finalmente exorcizou os fantasmas de Espanha e Mônaco com um pódio sem trapalhadas estratégicas, faltam apenas mais dois degraus.

No pelotão intermediário, as McLarens acordaram (a #22 só no sábado) e a evolução é bem clara. Mesmo em condições extremas, colocar os dois carros no Q3 nunca é uma missão fácil. Alonso fez uma corrida perfeita e garantiu sua tão adorada 7ª posição, somando pontos importantíssimos para uma possível briga com a Toro Rosso. Falando na Escuderia, Daniil Kvyat seguiu em seu inferno astral, amargando uma modesta 16ª posição, enquanto Sainz surpreendeu novamente, largando em 6º e segurando uma sólida 8ª posição, mesmo com o motor defasado em seu bólido. Sobre a Williams, é inegável que o circuito não é dos mais agradáveis para a equipe de Grove, mas sua queda aparenta ser inevitável. A corrida de Felipe Massa não pode servir de parâmetro, já que seu final de semana foi atribulado desde a sexta e seu carro ainda precisou de algumas gambiarras para alinhar no grid. Entretanto, Valtteri Bottas não encarou nenhum problema sério e mesmo assim, sofreu para se segurar na zona de pontuação. As próximas duas corridas, que serão em circuitos de alta – Hockenheim e Spa -, serão decisivas para termos uma noção do que a Williams pode almejar no 2º semestre de 2016. O alarme já soou em Grove e terminar atrás da Force India é uma possibilidade real, resta saber se saberão reagir a ameaça.

Além de tudo, o GP serviu para ajudar a extinguir o mito de que a Hungria não gera boas corridas. Dois clássicos em 2014 e 2015, além de uma grande prova no último Domingo colocaram Hungaroring na lista de mais aguardadas dos cabeças de gasolina, além de provarem por que essa obra prima está no calendário desde 1986, a 3ª maior sequência ininterrupta de aparições. Os olhares do mundo da Fórmula 1 se voltam agora para a Alemanha, e as inúmeras incógnitas de performance no retorno do circuito de Hockenheim, após o hiato em 2015, começarão a ser respondidas.

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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