Boletim Estratégico: Grande Prêmio do Canadá 2017

2 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 2 Filament.io 2 Flares ×

O circuito Gilles Villeneuve já se tornou referência de corridas eletrizantes, e 2017 não foi exceção, com um GP do Canadá recheado de momentos emocionantes.

Mesmo com as altas temperaturas e a natureza desafiadora da pista, a superfície lisa proporciona um desgaste mais baixo da borracha, limitando a variedade de escolhas estratégicas.

Essa degradação foi baixa mesmo com os três compostos mais macios sendo levados para Montreal, todavia, se por um lado a corrida não foi muito aberta em termos de estratégia, ainda tivemos diversas histórias interessantes para observar.

Como Hamilton venceu a prova?

De maneira breve, Lewis e a Mercedes estavam em uma liga própria na corrida. Mesmo com alguns sinais de competitividade da Ferrari na sexta e no sábado, a equipe alemã trabalhou duro para resolver seus problemas com os pneus, especialmente os ultra macios, evolução que ficou evidente no GP do Canadá.

Além disso, liderando tranquilamente, o inglês teve a chance de correr de cara para o vento e administrar sua corrida com tranquilidade. Lewis partiu para uma estratégia básica de apenas uma parada, trocando sua borracha na volta 32. A princípio a Mercedes havia indicado que optaria pela escolha segura dos pneus macios, entretanto, a performance animadora e os baixos índices de degradação dos super macios mudaram a estratégia da equipe.

Bottas perde terreno

Ficou evidente que o finlandês não tinha performance para desafiar Hamilton, terminando 19 segundos atrás do líder. Todavia, Bottas poderia ter feito uma corrida mais tranquila caso não tivesse ficado preso atrás de Esteban Ocon após sua única parada.

Seu pit-stop foi mais cedo do que esperado porque, segundo a equipe, o piloto havia dechapado seu pneu e precisava trocá-lo. Ele precisava encontrar três segundos para voltar a frente da Force India e poderia ter alcançado essa marca se tivesse parado de acordo com a estratégia original, mas o contratempo custou caro.

Bottas perdeu cerca de 2 segundos atrás de Ocon, perdendo ainda mais terreno em relação ao seu companheiro de equipe. O finlandês terminaria em segundo de qualquer forma, mas teria encarado um GP do Canadá muito mais tranquilo não fosse uma largada ruim e o tempo perdido atrás da Force India.

Corrida de recuperação de Vettel

As chances de pódio do alemão desapareceram ainda na primeira volta, após o toque de Max Verstappen na curva 1, danificando sua asa dianteira. O ritmo de corrida da Ferrari ainda pareceu ser muito forte, mas o dano impactou a pressão aerodinâmica do alemão significativamente.

A equipe ainda optou por não chamar o líder do campeonato para os boxes enquanto o carro de segurança estava na pista, uma decisão intrigante, uma vez que o piloto poderia voltar no final do trem e ter mais tempo, pneus e uma asa dianteira inteira para recuperar o tempo perdido de uma maneira mais eficiente, mesmo que a estratégia de duas paradas ainda fosse a indicada.

O alemão parou na volta 5, após a saída do Safety Car, calçando os super macios e partindo para um longo stint intermediário. A Ferrari ainda o chamaria novamente para colocar os ultra macios em uma segunda parada tardia, estratégia que quase não funcionou, mas Vettel ainda conseguiu saltar as Force Indias, terminando a prova em 4º. O tetracampeão estava 29 segundos atrás de Hamilton após a primeira parada e terminando 35 segundos atrás do líder, provando que seu bólido tinha um ótimo ritmo de prova.

Fonte: F1 Strategy Report

Paradas pouco efetivas

A Ferrari optou por parar Kimi antecipadamente, com o objetivo de saltar Sergio Perez, que havia ultrapassado a Ferrari ainda na primeira volta. Entretanto, o finlandês não estava perto o suficiente para fazer a manobra funcionar. Quando ficou claro que a estratégia não tinha funcionado, a escuderia chamou Kimi novamente, trocando para ultra macios em busca de um último stint meteórico, mas uma falha nos freios acabou com o possível ataque.

Daniel Ricciardo foi chamado na volta 18 para cobrir a parada de Kimi, mas o australiano tinha uma vantagem suficientemente grande para não precisar mudar de estratégia. A Red Bull ainda o devolveu para a pista com pneus macios, um certo risco, tendo em vista os níveis reduzidos de aderência, mas o piloto conseguiria chegar até o final do GP sem intercorrências.

Isso também fez com que Daniel tivesse pneus inteiros na briga pela 3ª posição nas voltas finais, contudo, o australiano ainda questionou a escolha da Red Bull, já que os super macios pareciam ser a opção ideal e diversos pilotos conseguiram chegar até o final com tranquilidade usando os pneus vermelhos.

Quando Raikkonen e Ricciardo pararam, Perez teve a pista livre mas não aproveitou a oportunidade. Seu ritmo não era forte o suficiente para concluir um overcut e a Force India acabou o chamando para os boxes na volta seguinte, trocando para os super macios, que eram a melhor opção na briga pelo pódio, mas Perez começou a sofrer com desgaste excessivo perto do fim da prova.

Force India vs Force India

Uma das principais batalhas no GP do Canadá foi a batalha interna na Force India, com Perez se negando a deixar Ocon passar para tentar desafiar Daniel Ricciardo, decisão que acabou custando uma posição para os dois ao serem ultrapassados por Sebastian Vettel. Na volta 49, as Ferraris ainda estavam 13 segundos atrás, mas se aproveitaram muito bem dos pneus novos.

Ricciardo enfrentou dificuldades com níveis baixos de aderência dos pneus macios. Enquanto isso, Ocon começava a apresentar um ritmo de corrida melhor e Perez lidava desgaste nos seus super macios. Dito isso, o processo lógico seria deixar o francês tentar buscar o último degrau do pódio, mesmo que por apenas algumas voltas.

Perez não aceitou as ordens de equipe e até negociou com seu engenheiro pelo rádio. Sem uma voz mais clara ou uma postura mais firme, a prova acabou com a batalha interna entre Ocon e Perez, facilitando a aproximação de Vettel e permitindo que Ricciardo tivesse um final de prova menos perigoso.

Fonte: F1 Strategy Report

Alonso quase pontua

Fernando Alonso quase marcou seu primeiro ponto de 2017, não fosse um problema de motor com 2 voltas restantes, jogando fora a 10ª posição do espanhol. Mesmo que o abandono não seja surpresa, sua performance até esse ponto havia sido extremamente animadora, chegando a estar em 4º durante um stint inicial bem extenso com os ultra macios.

O bicampeão trocou para super macios na volta 42 e manteve suas ótimas voltas até ser forçado a sair da prova. Além disso, Alonso havia dominado seu companheiro de equipe durante todo o final de semana e estava muito competitivo na corrida, sendo traído pela Honda mais uma vez.

Primeiros pontos de Stroll

O canadense vinha sofrendo forte pressão em sua temporada de estreia devido a alguns acidentes e pilotagens abaixo da média, entretanto, o jovem piloto se recuperou com uma ótima performance em casa. Stroll fez algumas ultrapassagens com os ultra macios, antes de calçar os super macios na volta 25 e voltar ainda mais competitivo para a segunda metade da prova, terminando seu primeiro GP do Canadá em 9º.

Apenas uma parada

Como previsto pela Pirelli, o baixo índice de desgaste em Montreal fez com que a estratégia de uma parada fosse a escolha mais segura e indicada, mesmo que algumas equipes ainda tenham optado pelo caminho mais agressivo de duas passagens pelos boxes. A utilização dos três compostos na corrida não tem sido comum em 2017, mas a diferenças entre os três pneus era pequena no Canadá. Os três foram bem resistentes durante o final de semana, Vandoorne levou os ultra macios mais longe, completando 45 voltas com o composto, Grosjean fez 68 com os super macios e Ricciardo rodou 52 calçando os macios.

Texto Original

Stints mais longos

  • Ultra macios: Vandoorne (45 voltas)
  • Super macios: Grosjean (68 voltas)
  • Macios: Ricciardo (52 voltas)
Fonte: Pirelli
Fonte: Pirelli

Siga-me no Twitter!!!

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

You May Also Like

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: