Boletim Estratégico: Grande Prêmio do Bahrein 2017

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O GP do Bahrein foi recheado de ação, com diversas brigas em todas as partes do pelotão. Sebastian Vettel conquistou sua segunda vitória do ano e a estratégia foi crucial para o triunfo do tetracampeão no confronto com as Mercedes.

Em meio às brigas e intrigas da corrida, tivemos também diversas escolhas estratégicas decisivas para monitorar e analisar.

| O trem do Bottas

No início da prova, Bottas não parecia ter o mesmo ritmo de corrida do trem de carros que se formava atrás dele. O finlandês não conseguiu se distanciar de Vettel, o que permitiu a aproximação de Hamilton e das Red Bulls.

Na verdade, Bottas estava sofrendo com uma alta pressão nos pneus, causada por um problema de gerador ainda no grid. Portanto, o piloto da Mercedes não estava simplesmente lento nas primeiras voltas da corrida, mas sim lidando com pneus que não estavam normais, causando inúmeras deslizadas do finlandês.

| Ferrari opta pelo Undercut

O undercut historicamente funcionou muito bem no Bahrein, com equipes tendo sucesso ao parar mais cedo para calçar pneus novos e pular seus rivais. A Ferrari utilizou muito bem essa estratégia na primeira parada de Sebastian Vettel, e ainda contou com a ajuda de um problema na pistola de troca de pneu da Mercedes.

O alemão parou na volta 10 para colocar super macios, se aproveitando dos pneus novos enquanto podia. A entrada do carro de segurança poderia ter acabado com sua corrida, mas as lentas paradas das flechas de prata colocaram Vettel na liderança do GP.

| Cinco segundos perdidos

Hamilton poderia ter brigado pela vitória nas últimas voltas da corrida caso não tivesse recebido uma punição de cinco segundos por segurar Daniel Ricciardo na entrada dos pits durante a primeira janela de paradas.

O inglês perderia tempo de qualquer forma nessa situação. Caso não tivesse reduzido a velocidade na entrada dos boxes, Hamilton ficaria preso atrás de Bottas enquanto o finlandês fazia sua parada. Considerando o histórico praticamente inexistente desse tipo de punição, Lewis optou por perder tempo na entrada, mas a decisão acabou custando caro.

Esses cinco segundos foram cruciais na batalha pela vitória. Sem esse desconto, a diferença de 6 segundos para Vettel no fim da prova certamente seria bem menor.

Fonte: Statics.quattroruote.it

| Macios nas flechas de prata

Curiosamente, a Mercedes optou por colocar pneus macios no bólido de Hamilton em seu curto stint final. Muito pensaram que os super macios seriam a opção ideal, visando uma performance ainda mais arrasadora do inglês. Além disso, outros pilotos extraíram mais de 20 voltas calçando os vermelhos. Lewis questionou a decisão no rádio, mas a equipe afirmou que a telemetria indicava os macios como a melhor escolha.

| Kimi apagado

Raikkonen teve outro final de semana melancólico em 2017, encontrando muitas dificuldades para se adaptar ao SF70-H, especialmente quando comparado a Sebastian Vettel. O finlandês teve uma péssima largada, perdendo terreno e caindo para a 6ª posição, atrás de Felipe Massa. A batalha com o brasileiro durou algumas voltas e custou um tempo precioso para o piloto da Ferrari, ficando de fora da briga pelo pódio.

Sua performance nos super macios deixou a desejar, não conseguindo extrair temperatura e velocidade dos pneus vermelhos. A Ferrari também poderia ter o trazido mais cedo para os pits na segunda janela. Ficar mais algumas voltas na pista custou segundos cruciais, já que uma troca antecipada para novos super macios poderia ter o colocado mais perto de Valtteri Bottas na briga pela 3ª posição.

| Red Bull na briga

Daniel Ricciardo afirmou após a corrida que chegou a considerar uma possível vitória da Red Bull durante o primeiro stint da prova. Daniel e Max estavam colados na briga pela liderança, mas a pequena diferença para o líder da prova foi ajudada pelo ritmo lento de Valtteri Bottas no começo do GP.

Ricciardo eventualmente perdeu contato com essa batalha, encontrando dificuldades para aquecer seus pneus macios e degradando os super macios muito mais rápido que seus concorrentes. Isso indica que Verstappen e Ricciardo não conseguiriam se manter na disputa pela vitória, mesmo sem o problema de freios do holandês ou a falta de performance do australiano.

| Perez arrojado

A primeira volta ousada de Sergio Perez rendeu cinco posições, ainda escalando até a zona de pontuação durante o stint inicial. O mexicano optou por uma estratégia mais agressiva, super macios/super macios/macios, explorando a aderência extra dos primeiros stints para fatiar o grid.

O carro de segurança ajudou bastante, mas Perez pilotou muito bem, cuidando dos pneus e sabendo a hora certa de atacar. Sérgio terminou a prova em um ótimo 7º lugar, mesmo tendo largado em 18º.

Fonte: @Tumblr

| Duas paradas dominantes

Os novos e resistentes pneus Pirelli nos fazem pensar que a maioria das provas será regida por apenas uma parada, contudo, as temperaturas altas do pesado circuito de Shakir proporcionaram um domínio das duas passagens pelos boxes. Apenas Pascal Wehrlein terminou o GP com apenas uma troca, o que quase funcionou para o alemão.

Os pneus aguentaram muito bem em meio às condições, o que quase colocou Pascal nos pontos. Esteban Ocon deu mais voltas calçando super macios, com 26, enquanto Wehrlein levou os macios mais longe, com 45. Os médios sequer foram usados e quase não rodaram durante o final de semana inteiro devido a resistência e eficiência dos macios e super macios.

| Largando com macios

Marcus Ericsson foi o único piloto a largar com os macios. O sueco buscou uma estratégia alternativa de apenas uma parada, entretanto, ao contrário do seu companheiro de equipe, a decisão prejudicou sua corrida. Permanecer na pista durante o carro de segurança acabou com a corrida de Ericsson, caindo no pelotão. Quando os super macios começaram a ser efetivos, o sueco foi forçado a abandonar com problema de câmbio.

Texto Original

| Stints mais longos

  • Super macios: Ocon (26 voltas)
  • Macios: Wehrlein (45 voltas)

| Fonte

Fonte: Pirelli Motorsport
Fonte: Pirelli Motorsport

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Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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