Boletim Estratégico: Grande Prêmio da China 2017

2 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 2 Filament.io 2 Flares ×

O GP da China foi recheado de ação, ultrapassagens e emoção. Além disso, a transição do molhado para o seco misturou ainda mais o pelotão, proporcionando escolhas estratégicas interessantes.

Lewis Hamilton dominou de ponta a ponta, conquistando sua primeira vitória do ano, 5ª na China e 54ª da carreira, seguido por Sebastian Vettel e Max Verstappen, que terminou em 3º mesmo largando em 16º.

Agora que a poeira ao redor da 2ª etapa do ano baixou, aqui estão as principais histórias e escolhas estratégicas do último domingo em Shanghai.

| Sainz aposta

Pancadas de chuva durante a manhã proporcionaram uma pista molhada porém secando rapidamente para a largada da prova. A reta principal estava particularmente escorregadia, com muitas poças, mas boa parte da pista já estava muito mais seca. Mesmo assim, 19 dos 20 pilotos optaram por começar a corrida com pneus intermediários.

Carlos Sainz foi o único a largar com slicks, optando pelos super macios. O espanhol disse que a equipe pensou que ele estava maluco quando apostou nos pneus de pista seca, entretanto, com exceção de uma péssima largada e uma rodada na curva 1, Sainz conseguiu capitalizar na ousadia, escalando o pelotão na primeira janela de pit-stops. A estratégia o colocou em uma ótima posição durante a corrida e colaborou com a 7ª posição alcançada.

Oportunidade perdida no VSC

O Safety Car virtual foi liberado no fim da primeira volta para facilitar a retirada da Williams atolada de Lance Stroll. Esse cenário pareceu uma oportunidade perfeita para os pilotos se livrarem dos intermediários, já que a pista estava praticamente seca.

Nico Hulkenberg parou no fim da volta 1, enquanto Vettel, Magnussen, Perez, Alonso e Vandoorne fizeram a troca na volta 2. Infelizmente, o Safety Car foi liberado algumas voltas depois, graças ao acidente de Antonio Giovinazzi, acabando com qualquer vantagem construída pelos primeiros a calçar os slicks.

Fonte: I.ndtvimg.com

Troca no Safety Car

Boa parte do pelotão parou durante o Safety Car virtual, com exceção dos ponteiros Hamilton, Verstappen, Ricciardo, Raikkonen e Bottas. O quinteto permaneceu na pista e trocou para pneus de pista seca após a batida de Antonio Giovinazzi na reta principal.

Entrar nos boxes no fim da volta 5 enquanto o resto do pelotão circulava em baixa velocidade, foi uma vantagem enorme. Os pilotos que já estavam calçando slicks encontraram enorme dificuldade de mantê-los aquecidos, beneficiando ainda mais os que pararam durante o Safety Car. Isso explica porque Vettel caiu para 5º. Já Bottas perdeu terreno com uma parada lenta, caindo para 5º.

Correndo no escuro

Os treinos de sexta foram praticamente inúteis, já que o grid conseguiu apenas 20 minutos de ação na pista devido às condições climáticas. Isso deixou pilotos com apenas o terceiro treino livre e o Qualifying para testar os novos carros e compostos de pneus em Shanghai, levando muitas perguntas não respondidas para o domingo de corrida. Para nossa alegria, corridas no escuro costumam ser emocionantes.

Duas paradas da Red Bull

Era claro no sábado que a Red Bull estava consideravelmente atrás de Mercedes e Ferrari, portanto, partir para uma estratégia de duas paradas pareceu uma ideia interessante. A equipe foi arrojada logo no começo, passando de intermediários para super macios, trocando novamente para os vermelhos na segunda rodada de pit-stops.

Possivelmente, o time optou por uma estratégia agressiva na tentativa de encurtar a diferença para os líderes usando pura performance, o que certamente funcionou para eles. Os super macios foram muito utilizados no sábado, fornecendo mais telemetria e comprovando sua durabilidade confiável no domingo.

Fonte: Pbs.twimg.com

Mad Max

A primeira volta de Max Verstappen no GP da China foi uma obra prima e um perfeito exemplo do que é ser agressivo na primeira volta. O holandês fatiou o pelotão, saindo de 16º na largada para 7º na última curva, mantendo esse estilo de pilotagem durante o resto da prova, ajudado por dois stints nos super macios.

Essa agressividade o prejudicou um pouco no final do GP, uma vez que o desgaste tornava cada vez mais difícil encontrar aderência. Enquanto isso, seu companheiro de equipe encontrou dificuldades no começo do stint mas logo se encaixou. Além disso, Ricciardo havia parado algumas voltas depois de Verstappen, levando a briga pela 3ª posição até os últimos metros da corrida. Melhor para o holandês.

Kimi fica para trás

O GP da China do finlandês não foi particularmente emocionante, mas certamente não foi ajudado pela péssima escolha estratégica da Ferrari. A equipe o manteve na pista muito mais que seus concorrentes diretos antes da segunda parada, enquanto seus pneus macios sofriam no final do stint, proporcionando a perda de alguns segundos por volta. Essa decisão da escuderia colocou Kimi em extrema desvantagem na briga pelo pódio, perdendo a oportunidade de brigar com as Red Bulls no final da prova.

Um pouco demais

Os macios e super macios provaram ser bem resistentes durante as sessões de sábado, o que essencialmente significava que o médio não seria usado durante a corrida. Após o primeiro stint curto de intermediários no domingo, ficou claro que algumas equipes estavam contemplando a ideia de apenas uma parada.

Entretanto, isso era pedir um pouco demais dos pneus macios e as equipes desistiram da estratégia durante o primeiro stint de slicks, parando pela segunda vez. Marcus Ericsson foi o único a terminar o GP com apenas uma parada, mas a estratégia não proporcionou vantagem alguma. Alguns que pararam durante o VSC inclusive tiveram que retornar aos boxes pela terceira vez, como Perez e Grosjean.

Texto Original

Stints mais longos

  • Intermediários: Hamilton, Verstappen, Ricciardo, Raikkonen, Bottas (4 voltas)
  • Super Macios: Palmer (30 voltas)
  • Macios: Ocon (40 voltas)

Fonte

Fonte: @PirelliSport
Fonte: @PirelliSport

Siga-me no Twitter!!!

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

You May Also Like

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: