Boletim Estratégico: Grande Prêmio da Áustria 2017

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Com primeira e última voltas eletrizantes, os pneus incrivelmente resistentes em Spielberg fecharam parcialmente o leque de opções estratégicas na corrida.

Valtteri Bottas converteu a pole position em sua segunda vitória na Fórmula 1, resistindo ao ataque de Sebastian Vettel nas últimas voltas e garantindo uma vitória crucial para a Mercedes. Daniel Ricciardo trouxe o Shoey de volta com mais um pódio, agora na casa da Red Bull.

Assim como foi o caso em boa parte da temporada, a estratégia não foi um fator crucial para o resultado da corrida, mas mesmo assim ainda tivemos diversos tópicos interessantes para analisar.

Uma parada para todos

Em algumas oportunidades em 2017 vimos a estratégia de uma parada ser a mais popular, com alguns pilotos arriscando duas passagens pelo boxes apenas para tentar algo diferente. Esse não foi o caso na Áustria, uma vez que os 16 pilotos que viram a bandeirada, pararam somente uma vez.

Isso foi causado pela incrível durabilidade dos pneus no Red Bull Ring, além de uma diferença muito pequena de aderência e velocidade entre os compostos, a menor de 2017 até o momento. Com isso, os ultra macios não eram a única opção forte durante a corrida.

Entretanto, como a corrida de apenas uma parada dominou o pelotão, vimos estratégias muito parecidas entre a maioria dos pilotos, os quais pelos boxes entre as voltas 30 e 44. As provas mais claras da durabilidade dos compostos foram os stints mais longos completados. Com os macios, Nico Hulkenberg fez 56 voltas, Vandoorne completou 39 calçando os super macios e Kimi fechou 44 voltas com os ultra macios.

Bolhas, bolhas, bolhas

Não estamos acostumados a ver pilotos tendo que lidar com bolhas nos novos pneus Pirelli, mas isso aconteceu com certa frequência durante o GP da Áustria. Esse fato não atrapalhou tanto a performance, causando apenas uma certa dificuldade durante algumas voltas, mas certamente foi um fator e uma preocupação a mais para os estrategistas nos boxes.

Fonte: F1 Strategy Report

Incerteza estratégica

Por conta das altas temperaturas da sexta-feira, as equipes pensaram que os pneus macios seriam os mais indicados graças a sua performance e durabilidade. Os amarelos até foram usados, mas o clima ameno do resto do final de semana se encaixou aos super e ultra macios, provocando diversas dúvidas no momento da escolha dos pneus para a prova.

Um grid misturado

Normalmente o grid de largada é formado por apenas dois compostos, entretanto, esse não foi o caso em Spielberg. Todos os três tipos de pneus foram usados no começo da prova, com alguns pilotos, entre eles Lewis Hamilton, optando pelos super macios e Felipe Massa largando com os macios.

Foi muito interessante ver os três compostos sendo escolhidos, o que volta a mostrar a pequena diferença de performance e resistência entre eles. Essa relação fez com que os três fossem bastante utilizados durante o final de semana, enquanto no resto da temporada, o composto mais duro tinha sido praticamente ignorado.

Estratégia de Quali para Hamilton

A punição de 5 posições recebida após a troca da caixa de câmbio de Lewis Hamilton fez com que a Mercedes tentasse algo diferente no Q2, colocando o britânico com super macios para marcar sua melhor volta na sessão. A vantagem das equipes ponteiras é tão grande que a mudança não foi arriscada e o tricampeão chegou ao Q3 com facilidade.

A estratégia alternativa posicionava Lewis com um pouco menos de performance no primeiro stint, todavia, como o inglês estava brigando com carros mais lentos, isso não foi um problema. Hamilton foi capaz de esticar seu stint inicial antes de calçar os ultra macios para o final da prova, os quais o permitiram atacar Daniel Ricciardo nas últimas voltas, perdendo um degrau do pódio por muito pouco.

Fonte: F1 Strategy Report

A fila do Kimi

A Ferrari deixou Kimi por mais tempo na pista em seu primeiro stint, colocando o finlandês na liderança com o objetivo de fazer Bottas, o líder da prova que havia voltado atrás de seu compatriota, perder tempo e permitir a aproximação de Sebastian Vettel. No entanto, a estratégia foi um tiro no pé, uma vez que os pneus do homem de gelo já estavam tão desgastados que a Mercedes não encontrou dificuldades para superá-lo.

Drama na primeira volta

A largada e a primeira volta asseguraram o resultado de alguns pilotos do pelotão. Valtteri Bottas conseguiu um salto perfeito quando as luzes se apagaram, tão bom que a FIA inclusive investigou a possibilidade de uma queima, e isso permitiu que o finlandês abrisse uma vantagem confortável e controlasse a prova. Mais atrás, Daniil Kvyat obliterou Fernando Alonso e Max Verstappen, forçando o abandono dos dois. As duas Williams conseguiram sair da penúltima fila para a zona dos pontos ainda na primeira volta e Jolyon Palmer também ganhou terreno, mostrando que seus ganhos foram na pista ao invés de puramente estratégicos. Alguns pilotos subiram mais que outros, de todo modo, suas escaladas no grid não tiveram a intervenção da estratégia.

Fonte: F1 Strategy Report

Ataques tardios

Lewis Hamilton conseguiu encostar em Ricciardo nas últimas voltas graças aos seus ultra macios novos e o ritmo forte natural da Mercedes. Esse cenário proporcionou momentos tensos nas últimas voltas, mas o inglês ficou de fora do pódio. Também vimos que a Ferrari parece tratar os compostos mais macios um pouco melhor que a Mercedes, e mesmo parando antes de Bottas, Vettel parecia ter pneus em melhores condições no último trecho da corrida. O alemão cortou a diferença rapidamente enquanto Bottas parecia encarar dificuldades, entretanto, o tetracampeão não foi capaz de superar o finlandês.

Texto Original

Stints mais longos

  • Ultra macios: Raikkonen (44 voltas)
  • Super macios: Vandoorne (39 voltas)
  • Macios: Hulkenberg (56 voltas)
Fonte: Pirelli Motorsport
Fonte: Pirelli Motorsport

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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