Boletim Estratégico: Grande Prêmio da Austrália 2017

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A Fórmula 1 está oficialmente de volta, e ao que tudo indica teremos uma batalha na ponta entre Mercedes e Ferrari. Hamilton até conseguiu cravar a pole mas não segurou a liderança no domingo.

Uma estratégia agressiva ajudou Sebastian Vettel a saltar o inglês e conquistar a primeira vitória da Ferrari desde Cingapura 2015. A nova era da categoria não começou de maneira dramática, contudo, certamente nos entregou um resultado interessante e momentos emocionantes.

Mesmo com os novos pneus duráveis da Pirelli, a estratégia ainda foi um elemento crucial na corrida. Dito isso, vamos analisar os melhores momentos da 1ª etapa da temporada.

| Mercedes queimando pneus?

Obviamente ainda cedo para tirar conclusões, entretanto, o monoposto da Mercedes apresentou um desgaste de pneus mais elevado em relação aos seus rivais, especialmente no tráfego. Hamilton e Bottas reportaram perda de aderência e superaquecimento dos ultra macios durante o primeiro stint. Ambos extraíram uma performance melhor dos macios, mas já era tarde demais para recuperar o tempo perdido com os pneus roxos.

| Kvyat estica o stint

Os testes de pré-temporada provaram que os ultra macios aguentavam algumas voltas a mais, contudo, ninguém esperava que alguém fizesse um stint de 34 voltas com os roxos em uma corrida. Daniil Kvyat cuidou muito bem de seus pneus durante praticamente dois terços da corrida, mas infelizmente sua estratégia e um potencial 7º lugar foram por água abaixo quando o russo foi obrigado a parar mais uma vez.

Kvyat voltou aos pits para que a equipe pudesse encher seu carro de ar, assim como a equipe havia feito na primeira parada também, custando segundos preciosos. Isso prova como a Toro Rosso estava equilibrada, uma vez que Daniil ainda garantiu a 9ª posição.

| Pneus resistentes

Como prometido pela Pirelli, os pneus de 2017 são muito mais duros e resistentes. Isso pode ter influenciado a escolha estratégica de boa parte do grid, que optou por apenas uma parada. O stint de 34 voltas de Daniil Kvyat foi o mais longo com ultra macios, Magnussen completou 43 com os super macios e Vandoorne alcançou 46 calçando macios. Essas marcas são consideravelmente maiores que as de 2016, especialmente em relação ao composto mais macio.

| Overcut funciona (para alguns)

Será que vamos falar mais Overcuts que Undercuts em 2017? Isso pode acontecer. O caso mais efetivo de Overcut em Melbourne foi justamente na briga pela vitória, já que Sebastian Vettel parou 6 voltas após Lewis Hamilton e ainda extraiu boas voltas de seus ultra macios no fim do stint, mesmo tendo que lidar com tráfego. A vantagem construída foi suficiente para voltar dos boxes liderando a prova.

| Tráfego participa da corrida

O tráfego teve um grande impacto no resultado da corrida, já que Lewis Hamilton ficou preso atrás de retardatários e carros mais lentos, incluindo Max Verstappen. A Red Bull ficou na pista mais algumas voltas após o pit-stop de Sebastian Vettel.

Após a parada, o inglês ficou imediatamente preso atrás de carros mais lentos, como Max, isso fez com que a Mercedes perdesse segundos importantes e presenteou o tetracampeão com a liderança e uma pequena vantagem. Vale destacar que o W08 estava com mais dificuldade em meio ao ar turbulento quando comparado ao bólido da Ferrari.

| Overcut não funciona (para outros)

Enquanto o Overcut funcionava perfeitamente para Vettel, Kimi não tinha a mesma sorte. O finlandês ficou mais que Bottas e Verstappen na pista, mas ao contrário do alemão, os pneus de Kimi já não tinham a mesma qualidade e performance para proporcionar bons tempos de volta. A manobra não custou posições, mas a briga com Valtteri Bottas ficou ainda mais distante, enquanto Max crescia nos retrovisores.

| Torcendo por um Safety Car?

Foi muito triste ver Daniel Ricciardo sair de seu carro ainda na volta de instalação em sua corrida caseira. A Red Bull ainda tentou trabalhar rápido pensando em uma largada do pit-lane e fizeram um trabalho espetacular, mas quando o RB13 estava pronto e saindo dos boxes, o australiano já estava duas voltas atrás.

Ao que parece, a equipe estava usando o GP como uma sessão de testes e possivelmente torcendo por um safety car, que o ajudaria a ganhar terreno rapidamente. Surpreendentemente não tivemos um carro de segurança em Albert Park e Ricciardo eventualmente abandonou com um problema de motor.

| Duas paradas não efetivas

A maior parte do pelotão terminou a prova com apenas uma passagem pelos pits, mas alguns ainda tentaram fazer duas paradas funcionarem, incluindo Nico Hulkenberg. Entretanto, o alemão ficou preso atrás de Fernando Alonso no começo da prova e partiu para um pequeno stint, no mínimo curioso, calçando pneus macios. Na segunda parada passou para ultra macios usados, terminando a prova em 11º.

| Texto original:

  • Jack Leslie

| Stints mais longos

  • Ultra macios: Kvyat (34 Voltas!)
  • Super macios: Magnussen (43 Voltas)
  • Macios: Vandoorne (46 Voltas)

Fonte:

  • Agradecimentos a Pirelli Motorsport pelos infográficos detalhados
Fonte: Pirelli Motorsport
Fonte: Pirelli Motorsport

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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