A primeira bandeira vermelha e o início de uma nova era – Dia 120 dos 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo

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Ao desembarcar no Canadá para o GP local em 1971, a Fórmula 1 dava início a uma série de transformações que mexeriam profundamente nos rumos da categoria dentro de fora das pistas. A própria incursão para o continente americano dependeu de acordos nos bastidores que levara à ascensão de um nome muito importante para o certame nos anos seguintes: Bernie Ecclestone.

O embarque das equipes para o território canadense só foi possível graças a um acordo intermediado pelo então dirigente da Brabham que havia acabado de se tornar membro da Formula 1 Constructors Association (F1CA), associação que seria o embrião da FOCA, entidade que se tornaria a atual Fórmula One Management (FOM).

Como novo associado, Bernie agiu para que os organizadores das etapas americanas auxiliassem financeiramente as equipes no transporte e na estadia durante as semanas dos grandes prêmios. Vale lembrar que, nos anos 1970, a maioria das escuderias eram pertencentes aos chamados “garagistas” e não possuíam um recurso tão elevado. Esse era o primeiro para Bernie se tornar uma figura influente nos bastidores, o que o levaria ao comando da Fórmula 1 nos próximos anos.

Dentro das pistas, outra preocupação crescente estava na questão da segurança. Os pilotos ainda sofriam muito com os riscos tomados nas corridas, numa época em que pelo menos dois corredores morriam por ano. A prova realizada em Mosport Park no dia 19 de setembro era a penúltima daquele mundial, que já estava decidido em favor de Jackie Stewart entre os pilotos e da Tyrrell entre os construtores.

Para dificultar as coisas, o tempo estava muito instável naquele fim de semana. Com os atrasos provenientes das corridas preliminares havia muita preocupação com a chuva e com a luz natural para saber se a etapa canadense poderia transcorrer normalmente.

Fonte: @Tumblr

A primeira vítima daquela situação traiçoeira foi o neozelandês Howden Ganley, da BRM, que bateu ainda na volta de apresentação. Na largada, Stewart já mantinha o favoritismo e disparava na frente após largar da pole. Pelo segundo lugar, Ronnie Petterson, da March, e Jean-Pierre Beltoise, da Matra digladiavam-se pela posição,

A pista molhada logo ia fazendo outras vítimas: Graham Hill (Brabham) e Clay Regazzoni (Ferrari) também bateram e ficaram pelo caminho (com direito a incêndio no carro do suíço). Na frente, a briga entre Peterson e Beltoise terminou quando o francês se acidentou, saindo da disputa na volta 15. Desta forma, o sueco partiu para o ataque e ultrapassou Stewart três voltas depois.

O ritmo de corrida do sueco e do escocês era absurdamente mais rápido que o do resto do pelotão naquele momento, colocando voltas em praticamente todos os adversários. Com o tráfego intenso, Peterson caiu na armadilha e se enroscou com a BRM de George Eaton na volta 31, perdendo a liderança para Stewart.

Fonte: @Tumblr

A partir daí, o piloto da Tyrrell seguiu dominante, com o sueco se arrastando na segunda posição e o estreante norte-americano Mark Donohue (McLaren) andando em terceiro, sendo os únicos na volta do líder.

Já não bastasse as condições precárias daquela época e a chuva intermitente, um denso nevoeiro começou a cobrir o autódromo de Mosport a partir da volta 47. Quando chegaram ao 64º giro, as condições de visibilidade eram impossíveis e, pela primeira vez na história, a bandeira vermelha era acionada em um Grande Prêmio de Fórmula 1. Aquela também foi a primeira prova encerrada antes do esperado, pois a previsão indicava que teríamos 80 voltas.

Jackie Stewart Fonte: @Tumblr

Assim, Stewart ganhava pela 18ª vez na careira, com Peterson e o novato Donohue completando o pódio. Também pontuaram Denny Hulme (McLaren), Reine Wisell (Lotus) e François Cevert (Tyrrell), que superou Emerson Fittipaldi perto do fim da prova, deixando o brasileiro da Lotus fora da zona de pontos.

Outras efemérides:

O aniversariante de 19 de setembro mais conhecido é Cristiano da Matta. O piloto mineiro é filho de Toninho da Matta, uma das lendas das categorias de marcas e turismo no Brasil, Cristiano ganhou grande destaque nos monopostos nos Estados Unidos, sendo campeão da CART em 2002 pela Newman-Haas e teve passagem pela Fórmula 1 entre 2003 e 2004 pela Toyota.

O piloto mineiro sobreviveu a um terrível acidente durante testes pela ChampCar em 2006, praticamente encerrando sua carreira. Após participar de uma corrida de endurance e de algumas provas da Fórmula Truck, deixou às pistas. Atualmente, Cristiano trabalha com uma loja de roupas e acessórios para ciclismo.

Fonte: Stats F1 e Grande Prêmio

Eduardo Casola Filho

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!

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