17 de Setembro, e o melhor piloto sem título da história – Dia 119 dos 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo

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Sir Stirling Craufurd Moss é britânico até o fundo do Neverwhere que existe embaixo de Londres. Nascido na capital inglesa, ao lado direito do Tâmisa, em 17 de setembro de 1929, é descrito por muitos como o melhor piloto a nunca vencer o Campeonato Mundial de Fórmula 1.

Moss e seu primeiro carro, um Cooper 500. Fonte: Flatout

Moss é filho de um dentista de Berkshire que queria ver o filho seguindo seus passos na odontologia, e não nas pistas (o velho Alfred Moss se arriscava às vezes, de forma amadora, chegando a participar das 500 Milhas de Indianápolis de 1924, conseguindo uma boa 16ª colocação). Mas a gasolina corria nas veias da família, e Stirling conseguiu o dinheiro para comprar um velho Cooper 500 em 1948 graças a seus resultados como jóquei (tanto ele quanto a irmã, Pat, eram muito bons em montaria; Pat se tornou uma das pilotos femininas de rali de maior sucesso em seu tempo).

Nestes primeiros tempos, Stirling já mostrava sua velocidade pura e sua capacidade de concentração ao volante. No dia de seu aniversário de 21 anos venceu o troféu de Turismo da RAC com um Jaguar XK120 (e venceria esta mesma corrida mais seis vezes nos anos seguintes). Em 54, tornou-se o primeiro piloto não nascido nos Estados Unidos a participar das 12 Horas de Sebring. Um ano antes já tinha chamado a atenção de Alfred Neubauer, o chefão da divisão de competição da Mercedes; competindo na então recém-nascida Fórmula 1 desde 1951, mesmo com carros de fundo de quintal como o HW, o ERA e o Connaught, Moss já despontava como um candidato a ser grande na categoria.

Com fleuma e nariz empinado, dizia que era melhor perder com um carro britânico do que vencer a bordo de uma máquina estrangeira. Mas não negou quando Neubauer lhe deu um italianíssimo Maserati 250F para participar do campeonato de 1954. Mesmo com uma quantidade de problemas mecânicos semelhantes a de Max Verstappen em 2017, enquanto estava na prova ele frequentemente se misturava às Flechas de Prata da Mercedes lá na frente. No GP da Itália daquele ano, o inglês passeou em frente aos dois maiores pilotos da época, Fangio e Ascari, não vencendo apenas porque seu motor estourou mais uma vez. Diz a lenda que neste dia Neubauer não foi comemorar a vitória com Fangio, pois estava correndo atrás de Moss para convencê-lo a fazer parte da equipe Mercedes no ano seguinte.

Stirling Moss. Fonte: Mercedes-Benz

1955 foi o “annus mirabilis” de Stirling Moss. Correndo pela Mercedes, disputando roda com roda com Fangio e obtendo a primeira de suas 16 vitórias na Fórmula 1 no Grande Prêmio da Inglaterra em Aintree (falamos dele no dia 56 dos nossos 365), Moss ainda foi campeão do RAC, venceu a corrida preferida do nosso colega Joshué Fusinato, a Targa Florio e, na mítica Mille Miglia italiana, tornou-se uma lenda.

Stirling Moss larga para fazer história na Mille Miglia de 1955. Fonte: Motor Trend

As descrições da pilotagem do britânico nas mil milhas pelas estradas da Itália foram de “o dia mais icônico da história do esporte a motor” do inglês The Telegraph até “The Most Epic Drive. Ever.” do americano Motor Trend. A bordo de um Mercedes-Benz 300 SLR Stirling voou pela Bota e estabeleceu o tempo até hoje recorde de 10 horas, 07 minutos e 48 segundos, numa média de velocidade inimaginável em ruas públicas de 159 km/h. Ao final da prova, Moss (sem descansar), pegou a namorada e levou-a para a casa dela, em Colônia, na Alemanha. Eles tomaram café da manhã em Munique e almoçaram em Stuttgart.

Moss foi vice-campeão de pilotos em 1955. E em 56, 57 e 58. Quatro vezes quase. Venceu a corrida no circuito mais longo a fazer parte da competição de Fórmula 1, nos 25 km de Pescara, e também a primeira prova em que disputaram carros com motor traseiro, em 1958, na Argentina. Aliás, neste ano, Moss perdeu o campeonato mas ganhou o título de desportista. Ao ver Mike Hawthorn virado contra o tráfico, de costas para uma subida, e com o público prestes a empurrar seu carro de volta a pista, Moss desacelerou e gritou que ele seria desclassificado se isso acontecesse, fazendo gestos para que o compatriota tentasse fazer sua Ferrari pegar “no tranco”; Hawthorn fez isso, chegou em segundo e ainda foi defendido por Moss frente a uma ameaça de desclassificação. Ao final do ano, Mike Hawthorn foi campeão mundial, 1 ponto à frente de Sir Stirling Moss.

Fonte: @Au

Entre 1959 e 1961, pilotando pela Rob Walker com um Lotus, Moss conseguiu três terceiros lugares na classificação final do campeonato. No ano seguinte ele teria um grave acidente em Goodwood, ficando um mês em coma e meio ano com o lado esquerdo de seu corpo praticamente paralisado. Apesar de se recuperar completamente, ele não sentia mais ter o controle completo do carro, e retirou-se das competições oficiais. Nos 15 anos em que competiu em várias categorias, Stirling Moss pilotou 84 carros diferentes, chegou a fazer 62 corridas em um ano (às vezes, mais de uma no mesmo dia) e, das 529 provas que disputou, venceu impressionantes 212, com um aproveitamento espetacular de 40%. Moss entrou no Hall da Fama do Esporte a Motor em 1990. Até hoje, quando param motoristas por excesso de velocidade nas estradas da Inglaterra, os policiais mais velhos perguntam: “Quem você pensa que é, Stirling Moss?”.

Fonte: Petrolicious

FORA DAS PISTAS

Em 17 de setembro também nasceram o campeão Damon Hill (1960) e o piloto em atividade Esteban Ocon (1996); no campo da música, Guy Picciotto, do Fugazi, está de aniversário, e em 1969 começou o boato de que Paul McCartney estaria morto (tem um post bem legal sobre isso no falecido Melhor Blog Sobre Nada). No campo do cinema, completa anos hoje o diretor Bryan Singer (e quem pensa que ele é o cara do X-Men precisa urgente ver Os Suspeitos, de 1995. Keyser Söze ainda é um dos vilões mais míticos da história da sétima arte).

E, em Manhattan, no ano de 1859 nascia Henry McCarty, também conhecido como William H. Bonney e eternizado como Billy the Kid. As lendas ao redor de sua vida são várias e ótimas, servindo até para fazer um filme com Emilio Estevez e com trilha sonora do Bon Jovi se tornar um clássico trash da década de 80.

 

Carlos Valesi

Médico, marido, pai, atleticano, roqueiro, podcaster, jogador de poker e fã de F1. Nem sempre nessa ordem.

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