15 de outubro de 1983, Piquet conquista o mundial de pilotos pela segunda vez, se iguala a Fittipaldi e Ferrari ganha o título de construtores – Dia 147 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo

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Queria eu ter presenciado os títulos de Piquet, ou, quem sabe o início das conquistas com Fittipaldi e ver a estrela de Pace que não teve tempo de brilhar!

Porém, hoje podemos rever e reler os feitos dos nossos heróis, tanto aqui no Boletim do Paddock como em outras mídias e assim lhes apresento a conquista que teve novamente a cara de Nelson Piquet, que soube administrar resultados para sagrar-se campeão.

l Dos Prolegômenos

A temporada de 1983 tivemos mudanças significativas, como a introdução do reabastecimento, regulamento técnico que reformulou os assoalhos dos carros, a morte Collin Chapman e equipes assumindo novos motores, Williams com a Honda, McLaren com a Porsche e Lotus com a Renault, porém estas equipes necessitaram de um tempo de adaptação com os novos motores o que na era turbo dos 80 lhes custaram pontos valiosos.

Nelson Piquet vinha de duas vitorias, nos GPs da Itália em Monza e da Europa em Brands Hatch, contudo o líder do campeonato era Alain Prost da Renault com 57 pontos, seguido de Nelson Piquet com 55 pontos e René Arnoux da Ferrari com 49 pontos.

Prost seguia líder, porém o fantasma dos motores turbo da Renault o assombrava, a temporada de 1982 havia lhe criado marcas profundas.

René Arnoux havia trocado a Renault pela Ferrari, pois esta em 1982 se viu órfã de Gilles Villeneuve e Didier Pironi, porém Arnoux buscava o título e via o seu ex-companheiro com mais chances.

http://boletimdopaddock.com.br/dia-44-dos-365-dias-dos-mais-importantes-da-historia-do-automobilismo-04-de-julho-rene-arnoux-um-frances-vitima-da-qualidade-dos-pilotos-dos-anos-80/9483

A temporada de 1983 foi bem equilibrada com mais de cinco equipes diferentes vencendo e mais de seis pilotos cruzando a linha na ponta.

Ferrari conquista pela segunda o mundial de construtores, porém deixa escapar o mundial de pilotos pela segunda vez! Fonte: Tumblr

O grid para corrida que aconteceria no sábado dia 15 de outubro de 1983 ficou assim: Patrick Tambay, parceiro de Arnoux na Ferrari, com o tempo de 1:06.554, Piquet foi o segundo, com o tempo de 1:06.792 e o seu companheiro foi Riccardo Patrese foi o terceiro com o tempo de 1:07.001, Arnoux ficou em quarto com o tempo de 1:07.186 e Prost amargou a quinta colocação o tempo de 1:07.186.

l Da Corrida

Já na largada Nelson Piquet assume a ponta, abrindo dois segundos, vale lembrar que a Brabham junto com o projetista Gordon Murray utilizavam da tática de largar com metade do tanque, indo para duas paradas, o que fazia com o os pilotos das equipes tivessem uma vantagem no peso e no consumo dos pneus, Piquet era seguido por Patrese, Tambay, De Cesaris, Prost, Rosberg, Arnoux e Lauda.

Largada em Kyalami Fonte: gpexpert.com.br

Impondo um ritmo alucinante Piquet batia o recorde da pista já na sexta volta com o tempo de 1:09.948, o que para o tempo de prova era algo assustador, não pense em comparar com o tempo da pole, pois na era turbo dos anos 80 as equipes configuravam o turbo com pressão máxima o que na corrida não seria nada inteligente a ser feito.

Lauda seguido de Prost. gpexpert.com.br

Na 15ª volta Piquet já abriria 22 segundos de vantagem para o segundo colocado o que lhe facilitou a retornar na ponta após o reabastecimento, assim a sua cola seguia Patrese, Lauda, Prost e Giacomelli, sendo que Arnoux já estava prestes a abandonar a corrida antes da metade por problemas no motor e assim a Ferrari via as chances de conquistar o título de pilotos mais uma vez ser jogado no lixo, lembrando que ela já estava segura com o título de construtores pelo segundo ano seguido.

Piquet abre vantagem confortável aos demais concorrentes ao título. Fonte: gpexpert.com.br

O motor BMW da Brabham de Nelson Piquet trabalhava alucinadamente até receber um alivio, pois Prost ao para reabastecer recebia a ordem de abandonar a prova pois o turbo da sua Renault não chegaria ao fim da prova e assim mais um francês abandonava a prova deixando o título nas mãos de Piquet que dava uma folga ao seu motor BMW pois assim bastaria administrar a corrida que o título já era dele.

Piquet comemora o Bicampeonato de pilotos! Fontes: gpexpert.com.br

Assim, sabiamente Piquet foi cedendo a posição de líder ao companheiro italiano e depois a Lauda que infelizmente sofreu com a quebra do seu motor, Piquet em segundo começa a sofrer pressão de De Cesaris que ultrapassa o brasileiro sem ter que se esforçar muito, garantindo uma dobradinha italiana na última prova do ano.

Pódio com dobradinha italiana e Piquet já consagrado Bicampeão. Fonte: gpexpert.com.br

Piquet cruza em terceiro, conquistando o seu segundo título e o quarto título brasileiro, o primeiro piloto a vencer o campeonato com um carro equipado com o motor e o último título de pilotos da equipe Brabham.

Prosto parabeniza Piquet pela conquista. (Foto: Patrick Jarnoux/Getty Images)

l Fora das Pistas

Quem estava feliz neste sábado 15 de outubro de 1983 era Ayrton Senna com o nascimento do seu sobrinho Bruno Senna, que teve uma rápida passagem pela Fórmula 1, mas foi em outras categorias que pode provar que tinha talento sim, mas que para os padrões de exigência bestiânicos brasileiros não tem o reconhecimento merecido.

Em 1983 a Nasa começava os estudos para o programa da Missão Cassini Solstice, que teve o seu lançamento em 15 de outubro de 1997 a exatos vinte anos, para tanto recomendo que ouçam o Nerdcast de n.º.: 323 e o Nerdologia 276.

 

Rubens Gomes Passos Netto

“Netto”, popularmente conhecido entre os imigrantes Guaxupeanos que tocam a zueira no pequeno município de São Paulo, gosta de comprar livros e outras bugigangas que orbitam o universo da Fórmula 1, já semeava a discórdia ao aceitar o rótulo de “nerd”, quando em terras tropicais, tal rotulo era algo, um tanto quanto pejorativo aos descendentes de primatas residentes nas regiões montanhosas produtoras de café, o que julgava ser maravilhoso, ainda mais sendo um apaixonado pela Fórmula 1, fã da McLaren por paixão e pela Ferrari por criação, já que nasceu em uma família descente de italianos produtores de café e não fabricantes de macarrão, na sua pacata opinião a melhor temporada foi a 2008, já que por um infortúnio reprodutivo de seus pais não conseguiu assistir a temporada de 1986, admira e muito o Emerson Fittipaldi, tem como o carro dos sonhos o McLaren MP4/4 e sonha em um dia ou noite pilotar em Spa e provar que as teorias que não levam a humanidade a lugar algum dos quais ele defende são mais úteis que um relógio digital, salvo se for para comer um pastel de camarão acompanhado de um chopp escuro.

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