13 de Julho de 1974, A Primeira Estação do Trulli Train – Dia 53 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo –

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Trulli pode não ter sido um dos pilotos mais vitoriosos da história, tampouco o mais bem-sucedido de seu país, todavia, no dia 13 de Julho de 1974 nascia, em Pescara, um dos personagens mais rápidos e carismáticos do grid, além de ser certamente uma das ausências mais sentidas na Fórmula 1 após sua aposentadoria.

O envolvimento de Jarno Trulli com a velocidade começou assim que o italiano nasceu. Seus pais, grandes cabeças de gasolina, o nomearam Jarno em homenagem ao motociclista finlandês Jarno Saarinen, que havia falecido em um evento em Monza no ano anterior. Com gasolina no nome e nas veias, o jovem italiano estava destinado a brilhar no automobilismo mundial. Curiosamente, seu primeiro contato com a Fórmula 1 também foi muito cedo. Ainda com cerca de 5 anos, seus pais o levaram para um evento em Pescara, em que um carro de F1 faria uma apresentação. Essa oportunidade mudou a vida de Trulli, que ficou maravilhado com as passagens do monoposto pelas ruas da cidade.

Com pais cabeças de gasolina e um incentivo tão grande na infância, era natural que Trulli se aveturasse no kart. O italiano começou sua carreira em 1984, com nove anos, e em 1991 já conquistava seu primeiro título mundial na categoria. O sucesso repentino fez com que Jarno voasse pelas categorias de base, e após títulos nacionais e internacionais nos karts em 1995, o piloto deu mais um passo e assumiu um cockpit da Fórmula 3 alemã, sendo campeão da categoria no ano seguinte. Sua performance meteórica foi suficiente para garantir um assento na Fórmula 1 para o ano seguinte.

Fonte: Podere Castorani

Ainda em seus 22 anos, Trulli estreou pela Minardi em 1997. Como era esperado, a performance limitada do monoposto não permitia muita coisa ao italiano além de superar seu companheiro de equipe, Ukyo Katayama, com muita frequência. Entretanto, o desempenho de Jarno atraiu os olhos de Alain Prost, e após a contusão de Olivier Panis pouco antes do GP da França, Trulli foi contratado pela equipe Prost para o resto do ano. Uma vez promovido para um time razoável, aproveitou sua oportunidade e já marcou pontos em sua terceira corrida na nova casa, com um sólido 4º lugar na Alemanha. Os dois anos seguintes, ainda na Prost, serviram puramente como aprendizado para o italiano, uma vez que a equipe já havia perdido boa parte da sua competitividade. Em 1998 o time sofreu com a confiabilidade do monoposto e Trulli marcou o único ponto da Prost no ano. No ano seguinte o cenário não mudou tanto, todavia, embora lento o bólido não já ficava pelo caminho com tanta frequência. Trulli marcou 7 pontos, incluindo um surpreendente segundo lugar no GP da Europa, enquanto Olivier Panis contribuiu com apenas 2.

Fonte: DriveTribe

  Em 2000, o italiano garantiu um dos cockpits da Jordan, na expectativa de poder brigar por pódios com mais frequência, tendo em vista a performance recente da equipe irlandesa. Entretanto, o italiano chegou tarde demais, e seus dois anos pelo time foram discretos.  Trulli não alcançou o pódio em nenhuma ocasião, mas começou a se notabilizar como um grande piloto em classificações, colocando sua Jordan ainda mais longe do que deveria. Mesmo modesto, seu desempenho foi suficiente para convencer Briatore sobre seus talentos e Trulli recebeu uma oportunidade na Renault para a temporada seguinte.

Fonte: Reddit

  Pela montadora francesa, Jarno aprimorou seu segundo talento de destaque, deixa o carro extremamente largo. Após alguns anos na categoria, sua fama de exímio defensor de posições já havia se espalhado, gerando inclusive o curioso mito do Trulli Train (Trem do Trulli). Por conseguir se classificar muito bem, o italiano geralmente tinha que se defender contra carros claramente mais rápidos, formando filas de pilotos arriscando ultrapassagens frustradas. Agora em uma equipe grande, Jarno batalhou com a confiabilidade do carro em 2002, mas reencontrou a boa fase e o tão esperado pódio, os quais não apareciam desde os tempos de Prost. Mesmo tendo pilotos como Jenson Button e Fernando Alonso ao seu lado na garagem, Trulli ainda conseguia brigar em pé de igualdade, especialmente no sábado. Em 2004, finalmente conquistou sua primeira vitória, dominando o GP de Mônaco, e fechou o primeiro semestre com um desempenho superior ao de Fernando Alonso, todavia, as relações entre o italiano e Flavio Briatore se desgastaram rapidamente, tornando a saída de Trulli mais do que esperava. 

Fonte: Max F1

Trulli foi então para a Toyota. E mesmo pilotando em uma equipe modesta, Trulli voltou a mostrar seu talento, garantindo pontuações sólidas, pódios e até pole positions em um cockpit claramente destinado ao pelotão intermediário. Em seus cinco anos pela equipe japonesa, o italiano superou seu companheiro de equipe três ocasiões, o bem pago Ralf Schumacher em 2007 e a jovem promessa Timo Glock em 2008 e 2009. Seu último ano pela equipe foi indiscutivelmente seu melhor desde os tempos de Renault, subindo três vezes ao pódio e pontuando com frequência, no entanto, independente dos ótimos resultados, Trulli ficaria sem assento no final da temporada após a saída da Toyota do esporte. Ainda sem cockpits para 2010, Trulli e Glock buscaram refúgio nas novatas Lotus e Virgin. Ao contrário dos áureos anos pela Toyota, o italiano passou a ser constantemente superado por seu companheiro de equipe, Heikki Kovalainen. Após dois anos frustrados com a realidade nanica da equipe, Trulli se aposentou da Fórmula 1 em 2011, deixando a Fórmula 1 sem um piloto italiano para o ano seguinte pela primeira vez desde 1969.

Fonte: Taddlr

Em 2014, Trulli ainda tentou uma empreitada na Fórmula E, fundando a Trulli GP com o intuito de competir na temporada inaugural da categoria. O italiano participou de todas as corridas dividindo garagem com Michela Cerruti, Vitantonio Liuzzi e Alex Fontana durante o ano. Performance pífias no primeira primeira temporada e um monoposto fora do regulamento na segunda causaram o fim prematuro da equipe, encerrando a última aventura de Jarno Trulli no automobilismo.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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