07 de Dezembro de 1984, O Primeiro Polonês na Fórmula 1 – Dia 200 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo

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Apesar de algumas boas safras no basquete e no vôlei, além de uma certa aptidão circunstancial para o hóquei no gelo, a Polônia nunca representou uma grande influência no cenário esportivo mundial. Essa característica se estende para o mundo do automobilismo, mesmo sendo a casa do segundo rally mais antigo do mundo. Todavia, no dia 7 de Dezembro de 1984, isso começou a mudar.

Robert Józef Kubica nasceu em Kraków, na Polônia, em começou sua carreira com go-karts logo em 1990. Ainda aos 10 anos, obteve sua licença de piloto de kart e foi campeão em Poznán na mesma temporada. O sucesso imediato o levou para a Itália 3 anos depois, mas Kubica ainda foi capaz de ganhar 6 campeonatos em sua terra natal antes de partir para a terra da Ferrari. Em sua segunda temporada na Itália, Robert foi o primeiro estrangeiro a ser campeão do Campeonato Italiano Júnior de Kart, além disso, ficou em segundo no Campeonato Europeu Júnior de Kart e venceu a Copa Mônaco de Kart Júnior, a qual era disputada em uma parte do circuito da Fórmula 1. No ano seguinte, Kubica defendeu seu título e venceu a corrida no Principado novamente, estabelecendo seu nome no cenário automobilístico europeu. 2000 foi seu último ano nos karts, mas o polaco ainda garantiu a 4ª posição nos campeonatos europeu e mundial da categoria.

Após tanto sucesso nos kart, Kubica partiu para a Fórmula Renault 2000. O polonês começou como piloto de testes, mas recebeu um assento fixo na temporada seguinte, conquistando inclusive sua primeira pole e sendo convocado para o programa de desenvolvimento da Renault. Em 2002, Robert venceu 4 corrida e foi vice-campeão da Fórmula Renault 2000 italiana, além de se aventurar em corridas na Eurocup e no Brasil. No ano seguinte, decidiu trocar de categorias mais uma vez, agora optando pela Fórmula 3, onde continuaria a progredir como uma promessa e ainda crescer no programa da Renault. O ápice do seu desenvolvimento foi o título da World Series by Renault em 2005, feito que o colocou de vez no radar de algumas equipes de Fórmula 1.

Robert Kubica – Epsilon Euskadi – Dallara T05 – Renault Fonte: Speedsport Magazine

 

Em 2006, Kubica se tornou piloto reserva da BMW Sauber, constantemente recebendo elogios de seus engenheiros devido aos seus resultados incríveis em treinos livres e sessões privadas. A primeira temporada completa do polonês no topo do automobilismo mundial para ser apenas questão de tempo. Curiosamente, essa oportunidade veio antes mesmo do esperado. Ainda se recuperando de um acidente no GP da Alemanha, Jacques Villenueve chegou à Hungria reclamando de dores de cabeça e sua participação na etapa foi vetada por médicos. Robert foi então chamado para substituí-lo e não decepcionou em sua primeira atuação no cockpit da Sauber. Ainda no sábado, se classificou na frente de seu companheiro de equipe, o experiente Nick Heidfeld, e após largar em 9º em sua estreia, terminou a corrida em 7º mas foi desclassificado por seu carro estar abaixo do peso limite. Sua excelente primeira corrida foi coroada pela saída de Villenueve do time logo após o GP da Hungria, deixando o assento livre para o polaco até o fim de 2006. Já em sua terceira corrida na Fórmula 1, Kubica conquistou seu primeiro pódio na categoria com um heroico 3º lugar em Monza, se tornando o primeiro piloto polonês a alcançar tal feito.

Primeiro pódio ao lado de Michael Schumacher Fonte: f1-pics.com

Na temporada seguinte, Robert se estabeleceu definitivamente como um dos pilotos mais consistentes do grid, marcando pontos em 11 das 16 corridas que participou e batendo na porta de seu segundo pódio ao terminar três vezes na 4ª posição. Entretanto, 2007 não foi totalmente positivo para o polonês, uma vez que também trouxe o primeiro acidente gravíssimo de sua carreira. Na 27ª volta do GP do Canadá, Kubica perdeu o controle de seu carro na entrada do hairpin e protagonizou um das batidas mais graves dos últimos anos na categoria. Apesar do caráter plástico do incidente, o piloto sofreu apenas uma concussão leve e uma torção de tornozelo, sendo substituído por precaução na etapa seguinte por um tal de Sebastian Vettel.

Fonte: @Pinterest

Após sair de um ano extremamente promissor, 2008 representou seu auge na categoria. A evolução clara da equipe levou Kubica para a briga pelo título no 1º semestre. Uma pole no Bahrein e dois segundos lugares na Malásia e em Mônaco eram os melhores resultados no polaco no ano, até que a Fórmula 1 voltou para o Canadá. Na mesma pista em que quase perdeu a vida, Robert assumiu a liderança nas primeiras voltas e dominou o resto da prova, vencendo um GP clássico, que inclusive já foi tema nos 365 dias do Boletim do Paddock, e se tornando o primeiro polonês a vencer uma corrida na categoria. Além disso, Kubica deixou Montreal na liderança do mundial, empatado em pontos com Lewis Hamilton. O começo arrasador da BMW Sauber no primeiro semestre foi em vão, uma vez que a equipe mudou seu foco para 2009 ainda no segundo semestre, e os meros três pódios de Kubica não foram suficientes para o sustentar na batalha pelo campeonato de pilotos.

A mudança de regulamento derrubou a competitividade da BMW Sauber em 2009, tornando a missão de Kubica ainda mais difícil. Além da falta de velocidade, a confiabilidade dos bólidos também deixava a desejar, acarretando em um 1º semestre extremamente complicado para os dois pilotos da equipe. Não fossem dois pódios, um de Kubica e um Heidfeld, a temporada da equipe teria sido totalmente modesta. Essa falta de resultado foi suficiente para a BMW se retirar do esporte no final do ano, deixando Robert sem assento para a temporada seguinte. Todavia, o bom filho a casa torna. Sem time em 2010, o polonês assinou com a Reanult, que encarava uma reestruturação completa após o escândalo do “crashgate”. Kubica foi então capaz de mostrar seu talento novamente, pontuando em 15 das 19 corridas que participou e subindo ao pódio duas vezes no ano. O casamento com a equipe francesa parecia ser perfeito, e 2011 prometia muito mais devido a parceira com a Lotus e o melhor tempo nos primeiros testes de pré-temporada em Valência, contudo, a carreira do polonês sofreu outro duro golpe.

Ainda em Fevereiro do mesmo ano, Kubica se envolveu em um grave acidente enquanto participava de um Rally na Itália. Após colidir em alta velocidade, um guard-rail penetrou seu cockpit e contundiu gravemente seu antebraço, cotovelo, ombro e perna, além de causar uma grave perda de sangue. O polonês passou por uma cirurgia de 7 horas dedicada a reduzir os danos causados pelo acidente, além de mais duas longas operações dias depois para reparar sua perna e seu ombro. Com Robert inviabilizado, a Lotus assinou com Heidfeld, que seria posteriormente substituído por Bruno Senna no 2º semestre. Seu retorno era esperado para 2012, mas suas condições físicas ainda o limitavam, levando a equipe a contratar Romain Grosjean e Kimi Raikkonen.

Kubica ainda quebraria a perna novamente no começo de 2012 em um acidente doméstico, adiando seu retorno às competições até 9 de Setembro de 2012, vencendo um Rally italiano com 1 minuto de vantagem. No ano seguinte, mesmo com movimentos limitados no braço contundido, o polonês dominou o Mundial de Rally-2 da FIA, vencendo 5 etapas e o título mundial da categoria. Robert ainda manteria seu foco nos Rallys nos dois anos seguintes, até abdicar da carreira para tentar vagas na Fórmula E e no Endurance, sem sucesso. Com seus olhos voltados para 2018, o piloto tenta finalmente viabilizar seu retorno à Fórmula 1 após 7 anos de ausência, contando inclusive com testes nos cockpits da Reanult e da Williams.

Ainda que definida e marcada por dois acidentes graves, a carreira de Robert Kubica serve de inspiração e é certamente motivo de admiração, especialmente se considerarmos suas origens. Saído de um país que conta com meros 2 circuitos, o piloto foi capaz de escrever seu nome na história das categorias em que participou e deixou sua marca na Fórmula 1, independente de sua passagem meteórica.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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